Diretor do Guggenhein está no Brasil para estudar novo museu
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sábado, 16 de outubro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 17 (AE) - O Brasil poderá ter um museu Guggenheim nos próximos anos. Quem diz isso é o diretor da Fundação Guggenheim, Thomas Krens, que está no Brasil desde sábado, visitando o País com uma comitiva de curadores da instituição. Krens esteve no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, onde conheceu o arquiteto Oscar Niemeyer, e também visitou a exposição de Nuno Ramos no Espaço Hélio Oiticica. Amanhã (18), almoça em São Paulo no Museu Oscar Americano e na terça-feira tem um encontro, às 17 horas, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio do Planalto.
"Sempre digo sim a essa questão, mas é uma pergunta complexa, que envolve outros aspectos", disse Krens ao sair do Mosteiro de São Bento, no Rio, onde esteve vendo amostras da arte barroca brasileira. "Essa é minha primeira visita ao País e há outros países da América do Sul que queremos examinar", afirmou. "Há interesse e possibilidades, mas não quero criar expectativas demasiadas."
Mas Krens deixou subentendido que o Brasil é um forte candidato a ter um Guggenheim (juntamente com Argentina e Chile)
ao comentar que é "o País mais importante da América Latina". O primeiro passo para o conhecimento da realidade cultural e artística do Brasil estará sendo dado no ano 2001, quando o museu Guggenheim de Nova York vai receber a mostra Brasil 500 Anos.
"No fundo, essa exposição será um ato político, para lembrar ao Brasil que nosso país tem memória", diz o organizador da mostra, Edemar Cid Ferreira. "Em segundo lugar, é um ponto importante na mudança da relação do Brasil com o exterior, para mudar a imagem do País", afirma Ferreira.
A mostra Brasil 500 Anos, com custo estimado de R$ 30 milhões, tem apoio dos Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores. Será aberta em 24 de abril de 2000.
O diretor da Fundação Guggenheim, Thomas Krens, de 51 anos, está há 10 anos à frente da Fundação Guggenheim. Nesse período, afrontou o perfil conservador do museu, abrindo uma espécie de "Operação Franchise" do museu ao redor do mundo. Os "filhotes" mais recentes do prestigiado museu causaram grande impacto em seus países e no mundo (o Guggenheim de Bilbao, na Espanha, e o de Berlim, na Alemanha).
Mercado - "O Guggenheim é um museu internacional e a América Latina é uma das regiões mais importantes do mundo", disse Krens. "É muito importante que nós tenhamos uma abertura para o público da América Latina", afirmou.
Suas razões também têm aspectos financeiros. "Não importa que o nosso maior público seja em Nova York", disse. "Você pode colocar o produto na estrada sem dobrar ou triplicar seus custos", disse o diretor, graduado em administração pela Yale School of Management. Krens sabe o que diz: a mostra China 5.000 Anos, no Guggenheim Bilbao, custou US$ 4,1 milhões, um preço alto para um único museu. Mas se essa exposição segue em escala para o mundo todo, seu custo é dividido entre muitos patrocinadores e acaba custando muito menos.
Os museus-satélite do Guggenheim têm funcionamento e financiamento autônomos. Em Bilbao, são financiados pelo governo regional basco. Em Berlim, pelo Deutsche Bank. A política de abertura do museu ajudou a mudar seu desempenho econômico (perdeu US$ 6,5 milhões em 1995 e US$ 600 mil em 1996). Seu orçamento é modesto (US$ 47 milhões), se comparado aos Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa, (US$ 315 milhões) e ao Metropolitan, também em Nova York, (US$ 878 milhões). Mas, desde a abertura além-mar, o Guggenheim melhorou sensivelmente seu desempenho.


