São Paulo - Doze dias após o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, que devastou o vilarejo de Mariana (MG) no último dia 5, o diretor-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Celso Luiz Garcia, pediu demissão do cargo, que ocupava desde 8 de junho deste ano. O departamento é ligado ao Ministério de Minas e Energia e é responsável por controlar e fiscalizar a mineração no País.
O ministério informou que a carta de demissão foi entregue anteontem com um laudo médico, mas não soube informar o que constava no laudo. O ministro Eduardo Braga anunciaria um novo nome para ocupar o cargo ainda ontem, disse o ministério. Na semana passada, Braga disse que o DNPM só havia pago 13,2% do valor previsto para o programa de fiscalização das atividades minerárias por questão de "contingenciamento". Os esforços de fiscalização receberam apenas R$ 1,3 milhão neste ano, menos da metade dos R$ 3,6 milhões pagos no mesmo período de 2014. Braga defendeu, contudo, que os cortes não teriam comprometido a fiscalização da atividade do setor. Segundo dados oficiais de relatórios do DNPM, atualizados em abril de 2014, ao menos 16 barragens de mineração no Brasil são inseguras, em municípios de Minas Gerais, Amazonas e Pará. A tabulação feita pelo órgão federal usa dados divulgados pelos próprios donos das barragens.

DESASTRE EM MARIANA
Doze dias após o vazamento de lama que devastou vilarejo de Mariana e que começa a chegar ao Espírito Santo, a mineradora Samarco reconheceu que outras duas barragens próximas ainda podem ruir. A preocupação é com os reservatórios de Santarém e de Germano.
Até anteontem, o saldo de vítimas era de sete mortos e 12 desaparecidos, além de quatro corpos ainda não identificados. "A maior preocupação, na barragem de Santarém, é a erosão. Um fluxo descontrolado passando novamente por cima da barragem poderia aumentar essa erosão e poderíamos ter, sim, passagem desse material", afirmou Germano Lopes, gerente-geral de projetos estruturais da Samarco.
Mais de 200 animais, entre cães, gatos, galinhas, patos, cavalos, bois, porcos e silvestres, foram resgatados do mar de lama que atingiu Mariana com o rompimento das barragens da mineradora Samarco. ONGs de proteção de animais se uniram ao Fundo Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA) para arrecadar recursos para manter esses bichos e também continuar as buscas. O Fundo também está recolhendo rações e medicamentos.

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