Diretor do Depen é afastado
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O coordenador do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen-PR), coronel Justino Henrique Sampaio Filho foi afastado do comando ontem. O comunicado foi feito pelo secretário da Justiça e da Cidadania, Aldo Parzianello, sem maiores justificativas. Consta, entretanto, que há indícios de envolvimento entre o coronel Justino e membros da quadrilha presos ontem pelo assassinato do major Pedro Plocharski.
O coronel Justino, aposentado, está na reserva da Polícia Militar e cumpria função no comando do Depen por meio de cargo em comissão. Conforme suspeitas, teria sido interceptada uma ligação telefônica entre Justino e o advogado criminal e coronel da reserva Lucio de Mattos Júnior, defensor do ex-tenente Alberto da Silva Santos. Na conversa, o coordenador do Depen teria dito ao advogado que o ex-tenente, que cumpria pena em regime semi-aberto na Colônia Penal Agrícola, em Piraquara, estava sendo investigado pelo assassinato do major. Alberto Santos era defendido por Lucio.
Em entrevista à reporter Luciana Pombo, da TV Exclusiva, o coronel Justino confirmou a ligação do coronel Lucio, mas negou qualquer tipo de envolvimento. Segundo ele, o coronel Lucio, muito nervoso porque já sabia da investigação sobre seu cliente, ligou para saber dos horários de liberdade do ex-tenente na colônia penal agrícola.
O coronel Justino teria dito que tranquilizou o coronel Lucio, informando os horários de Alberto. Salientou que, no horário em que o major Plocharski foi morto, Lucio estava cumprindo pena na penitenciária. Segundo Justino se ele tivesse a intenção de colaborar com o advogado, teria alertado sobre a investigação e não tranquilizado. Esse teria sido o teor da conversa.
Justino disse ainda que aceitou com tranquilidade o afastamento porque fatos como esse têm que ser esclarecidos. Reforçou que era amigo do major assassinado e não seria ele a passar a mão sobre a cabeça de suspeitos ou envolvidos. O máximo que houve foi a conversa dele com o advogado de um preso. Alegou ainda que a suspeição sobre Alberto era um fato público e por isso não via problema em atender uma informação.
Em entrevista à tarde, o secretário Luiz Fernando Delazari, da Segurança, informou que operação ''Tentáculos'' corresponde à segunda etapa de uma força tarefa em parceria com a Polícia Federal que vem sendo realizada no Paraná. A primeira etapa teria sido a operação Março Branco, que flagrou o tenente coronel Valdir Copetti Neves na articulação de uma milícia armada de fazendeiros contra sem-terra em Ponta Grossa.
Segundo Delazari, Copetti Neves teria ligação com a empresa clandestina de segurança ''Sigilo''. Esta era a empresa utilizada pela quadrilha de policiais militares, presa ontem, para oferecer segurança aos comerciantes dos bairros da região Sul de Curitiba.


