Brasília, 31 (AE) - O diretor de Normas do Banco Central
Sérgio Darcy, admitiu hoje que a concorrência bancária não é perfeita no Brasil. De acordo com Darcy a concorrência existe, mas só se tornará efetiva quando todas as agências autorizadas pelo BC para as instituições estrangeiras estiverem em funcionamento. A previsão de Darcy é que isso ocorra dentro de um prazo de até dois anos.
Sérgio Darcy falou hoje para os participantes do seminário internacional sobre concorrência no setor bancário, promovido pela Associação Brasileira dos Bancos Estaduais (Asbace) em conjunto com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Darcy assegurou que o objetivo do BC é o fortalecimento do sistema bancário, sem perder de vista o atendimento ao cliente, que deve ser o melhor possível. Para que isso aconteça, segundo o diretor, é imprescindível a questão concorrencial.
De acordo com os dados apresentados por Darcy a concentração bancária vem melhorando no País. Os bancos privados
segundo ele, detêm 52,58% do total de ativos. Nas mãos dos estrangeiros estão 14,23% dos ativos. Os bancos oficiais ficam com os demais 47,42%. Em 1994, segundo Darcy, as três maiores instituições do País detinham 45,97% do total de ativos do sistema. Esse percentual caiu para 44,82% no ano passado.
Darcy lembrou que o BC já estuda há algum tempo, juntamente com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), alteração nas normas que regulamentam as aplicações dos clientes em fundos de investimento de alto risco, como por exemplo, os derivativos. Darcy explicou que é intenção do BC que os bancos evitem as aplicações dos clientes que desconhecem os riscos. "Muitos entram em fundos de alto risco sem entenderem bem em que estão aplicando", esclareceu. Segundo o diretor do BC, no exterior apenas os grandes aplicadores, que têm dinheiro e sabem do risco, investem em derivativos.
Darcy afirmou também que está preocupado em proporcionar mais opções aos clientes dos bancos. Ele admitiu que o BC estudará a possibilidade do cliente poder optar por receber seu salário no banco de sua preferência. Outra mudança que poderá ocorrer ao longo do tempo diz respeito à atuação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo Darcy o FGC poderá vir a ter uma atuação conjunta com o BC, ou seja, entrando no banco e se antecipando ao problema, com o objetivo de reduzir a perda que o próprio fundo tem na cobertura das aplicações dos clientes até o limite de R$ 20 mil. O assunto ainda não foi levado à diretoria do BC, mas já foi debatido com o presidente do FGC, Antônio Carlos Bueno.

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