Diretor do BB prevê redução em juro do cheque especial
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 02 (AE) - Quem está pendurado no cheque especial já vai começar a sentir os efeitos da redução dos juros ao consumidor nos próximos 15 dias. A expectativa é do novo diretor de Finanças e Mercado de Capitais do Banco do Brasil, Vicente de Paulo Diniz. O alívio é efeito direto da decisão do governo de baixar de 20% para 10% a alíquota de recolhimento compulsórios sobre os depósitos a prazo.
Os juros para quem toma empréstimos ou é correntista do Banco do Brasil vão cair nos próximos dias. O BB cobra atualmente, no cheque especial, taxa de 8,4% a 9,4% ao mês, e no Crédito Direto ao Consumidor, cerca de 4,5% ao mês. Diniz não quis adiantar de quanto será o corte, mas explicou que a intenção do BB é repassar aos consumidores os benefícios decorrentes da maior flexiblidade da política monetária. "A medida diminuiu o custo de captação dos bancos e essa queda será repassada aos clientes", explicou.
O diretor participou hoje da entrega do certificado ISO 9002 pelo serviço de custódia e liquidação financeira no mercado de renda fixa prestado pelo banco. Segundo ele, a tendência de queda dos juros deve ser seguida por outras instituições. "A estratégia é oferecer taxas mais baixas e obter lucros com o aumento da oferta de crédito", informou. "A economia está reagindo e a mudança vai possibilitar uma queda na diferença entre a taxa de captação e a cobrada aos consumidores."
Para o executivo, o resultado será um aumento nas linhas de financiamento ao setor produtivo. O próprio governo estima que a mexida nas regras do compulsório injete aproximadamente R$ 10 bilhões no sistema, que antes estava recolhido nos cofres do Banco Central. Parte desses recursos serão utilizados pelos bancos para aumentar a oferta de crédito na economia, principalmente agora quando a atividade produtiva começa a dar sinais de recuperação. "A economia está reagindo e vai demandar mais empréstimos neste segundo semestre", previu.
Diniz admitiu, porém, que a inadimplência ainda limita um corte mais significativo dos juros a curto e médio prazos. Segundo ele, esse é um componente importante na formação da taxa
que não pode ser desprezado. Novas mudanças no percentual de recolhimento compulsório não são descartadas pelo Banco do Brasil. O executivo ponderou que uma redução na alíquota dos depósitos à vista teria impacto ainda maior para os juros ao consumidor.
O crédito será um ingrediente importante no balanço dos bancos no segundo semestre. No primeiro semestre, o setor obteve lucros recordes por conta da desvalorização cambial. Diniz descartou um resultado tão bom para os últimos seis meses do ano
mas acredita que os ganhos com empréstimos possam melhorar o desempenho esperado para as instituições financeiras. De janeiro a junho deste ano, o BB obteve lucro líquido R$ 550 milhões.


