Diretor do BB diz que ex-diretor da Encol é culpado por falência
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Vânia Cristino e Gilse Guedes 
Brasília, 25 (AE) - O diretor de Finanças do Banco do Brasil
Carlos Gilberto Caetano, responsabilizou o ex-presidente da Encol Pedro Paulo de Souza pela falência da construtora. "Não tenho dúvidas de que a responsabilidade da falência é do controlador", declarou aos senadores, durante o depoimento prestado à CPI do Sistema Financeiro.
Na avaliação de Caetano, Pedro Paulo perdeu o controle da empresa depois que ela deixou de ser uma construtora regional e se expandiu para todo o país. "A Encol passou a ser gerida de forma inadequada a partir de um determinado momento", explicou. Mesmo assim, Caetano defendeu a imagem do ex-presidente da Encol que, na sua opinião, em nenhum momento agiu de má-fé.
"Em todos os encontros que tive com Pedro Paulo sua preocupação era em salvar a empresa para garantir o emprego de seus funcionários e a entrega das unidades aos mutuários", contou. Questionado pelos senadores sobre o papel do Banco do Brasil nas frustradas tentativas de solucionar o caso Encol, Caetano garantiu que o BB agiu com extrema correção em relação à construtora.
"A primeira preocupação do Banco do Brasil é em recuperar os créditos", afirmou. No entendimento do diretor do BB, a operação que o banco fez, de substituição de garantias para recebimento de parte da dívida em dinheiro, era a única possível no momento. "O Banco do Brasil não tinha outra alternativa", garantiu ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que queria saber por que o BB trocou uma garantia boa - no caso o hotel Ramada Inn - por outros 16 imóveis, alguns deles conjuntos habitacionais já vendidos a terceiros.
Caetano explicou que, nessa operação, o BB conseguiu receber R$ 16,8 milhões. O Hotel Ramada Inn foi vendido para a Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal) por R$ 55 milhões. A outra alternativa, segundo Caetano
seria a execução da dívida, o que precipitaria a falência da Encol, não levando a qualquer resultado positivo do Banco do Brasil.
Já o ex-diretor de Crédito do Banco do Brasil, Édson Ferreira
que também depôs hoje na CPI do Sistema Financeiro, afirmou aos senadores que estava vendo ali uma situação paradoxal. "De um lado o Banco do Brasil está sendo acusado de não ter contribuído para a salvação da Encol enquanto que também vem sendo acusado de ter se aproveitado da situação da construtora para cobrar seus créditos", disse.
Ferreira garantiu aos senadores que o Banco do Brasil fez o possível para evitar a falência da construtora. Ele citou as renegociações das dívidas e os esforços feitos na coordenação dos bancos credores para viabilizar a retomada das obras pela construtora. De acordo com Édson Ferreira, isso não foi possível porque a contabilidade da empresa não era confiável. "A Encol já sofria de problemas estruturais e acumulava dívidas incompatíveis com a produção das unidades no volume necesssário para a geração de caixa para a empresa", explicou.
Ferreira negou as acusações de Pedro Paulo de ingerência do governo ou do próprio Banco do Brasil na ocasião em que o ex-presidente foi afastado da condução dos negócios da construtora. Ele atribuiu ao próprio Pedro Paulo a escolha de Jorge Washington Queiroz como interventor da Encol. De fevereiro de 1995, quando assumiu a diretoria de Crédito, até a falência da Encol, no início do ano, Édson Ferreira garantiu que o Banco do Brasil não fez novas operações de crédito com a construtora. Segundo ele, a exceção ficou por conta de um crédito de R$ 2,7 milhões, inteiramente liquidado pela Encol, concedido em dezembro de 1996 para pagamento de pessoal.
Os senadores também questionaram Ferreira e Caetano sobre os motivos que levaram a diretoria do BB a punir funcionários de segundo escalão, acusados pela Auditoria Interna do Banco de terem praticado irregularidades nas operações com a construtora. "As operações não foram autorizadas pela própria diretoria, da qual vocês faziam parte", perguntou Suplicy aos depoentes. Tanto Ferreira quanto Caetano argumentam que, justamente por estarem envolvidos, não participaram da decisão da diretoria e que as punições seguiram critérios internos do banco.


