Diretor do Banespa considera CPMF inconstitucional
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Rodney Vergili 
São Paulo, 25 (AE) - Oliver Simioni, único diretor remanescente da diretoria do Banespa que foi afastada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, considera a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) "inconstitucional". Ele protesta por não ter sido convocado pela diretoria exonerada para assinar o pedido da ação judicial feita pelo Banespa contra o novo tributo.
Segundo Simioni, os diretores não podem esquecer seu compromisso e sua responsabilidade com a gestão da empresa. Simioni é representante eleito pelos funcionários na diretoria do Banespa. Ele tem o cargo, "status" e salário de diretor do Banespa e não pode ser afastado como os demais, devido à legislação aprovada no governo Franco Montoro (em 1983), que estabeleceu a obrigatoriedade dessa representação no estatuto do banco.
Simioni, 61 anos e 35 anos de Banespa, foi eleito em 1993 para representar os 35 mil funcionários, na quinta eleição do gênero. Segundo ele, a instituição de seu cargo teve como objetivo demonstrar a transparência dos atos de toda a direção da empresa.
Hoje, o banco federalizado emprega menos de 22 mil bancários devido principalmente a processos de aposentadoria voluntária. O cargo de diretor de Representação e Participação tem gestão prevista para dois anos.
Simioni permanece no cargo desde 1993, pois o Banco Central assumiu a gestão do Banespa em 1994 mas não convocou eleições desde aquela época. Segundo ele, a representação dos funcionários foi cerceada após a intervenção do Banespa e ele não tem sido convidado para participar de reuniões da diretoria.
Ele disse que nas diretorias anteriores à intervenção o representante de funcionários participava com "poder de voz e voto" em todas as reuniões da diretoria plena e Comitê de Crédito. Ele foi diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo entre 1985 e 1991.
Privatização - Siminoni afirma que sua principal luta como representante dos funcionários é contra a privatização do Banespa, que ele considera uma dilapidação do patrimônio público. Afinal, argumenta Simioni, o Banespa tem hoje R$ 14 bilhões em caixa, enquanto o governo estadual e os municípios estão sem recursos.
Ele afirma não ser "justo que esse dinheiro seja entregue a empresas privadas, quando poderia ser utilizado na formulação de políticas públicas e sem desrespeitar os acionistas minoritários". Ele espera que a nova diretoria retome as negociações que estão paradas há quase um ano em torno do acordo coletivo de salários.


