Descontente com a falta de ação do governo do Paraná, o diretor Pedro Rugerone admitiu que a Syngenta analisa a possibilidade de deixar o Estado. ''Temos estações experimentais em vários estados do Brasil. O único onde temos problemas é o Paraná'', afirmou o empresário, que se diz refém da situação. ''Estou absolutamente convencido que somos reféns do governo do Paraná de não liberar a estação e somos reféns da Via porque não podemos ingressar na terra, nós perdemos a posse da propriedade'', reclama.
Maior empresa de defensivos agrícolas do Brasil e terceira maior do mundo no mercado da biotecnologia alimentar, a transnacional de origem suíça Syngenta Seeds também enfrenta outros problemas no Paraná. Foi multada em R$ 1 milhão pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por ter feito plantio e experimentos com transgênicos na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu.
Além da multa, a Syngenta é alvo de uma ação civil pública do Ibama no Ministério Público paranaense pedindo a destruição das culturas transgênicas na região em torno do parque. ''Não estamos fazendo nada de errado'', diz Rugeroni, lembrando que já existe uma Medida Provisória em vias de ser asinada pelo presidente da República, reduzindo para 500 metros a zona de amortecimento em áreas de parques nacionais. ''Com isso o embargo do Ibama não terá mais sustento'', diz.
No último dia 10 a ONG Terra de Direitos entrou com uma representação criminal contra Syngenta, em Cascavel. Na ação, a ONG alega que o plantio de transgênicos na área é crime, conforme a Lei de Biosegurança. O processo está no Ministério Público.
A advogada Maria Rita Reis, coordenadora jurídica da ONG, acredita que o MP deverá instaurar inquérito civil público. Caso o MP não ajuize ação penal, a Terra de Direitos deve ajuizar a ação. (M.G.)

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