Presidente Bernardes, SP, 01 (AE) - O diretor da Coordenadoria de Estabelecimentos Penitenciários do Estado (Coespe) , Lourival Gomes, disse hoje que a invasão da Penitenciária de Presidente Bernardes, por tropas da Polícia Militar, foi o último recurso para conter a rebelião de 450 presos que mantinham três agentes de segurança reféns. Ele confirmou que durante a ação foram mortos os dois líderes dos amotinados, Roberto Luiz Câmara, o "China"e Luiz Ferreira do Nascimento.
De acordo com Gomes, os líderes da rebelião, que já haviam executado um preso, tinham uma lista de condenados que deveriam morrer e prometiam que depois dessas execuções, pretendiam matar os reféns. O coordenador da Coespe classificou "China" como sendo de extrema periculosidade. Ele foi o autor de oito homicídios, o último deles contra o detento Luiz Carlos Raffaini Júnior, executado a golpes de estilete, quinta-feira, no presídio e que teve a língua perfurada por dois pregos.
Nas negociações, durante a rebelião, ele mantinha-se intransigente, exigindo a transferência de 50 presos, oito deles para os estados de Mato Grosso e Goiás.
Além dos dois mortos, os detentos Cláudio Ferreira Souza Brasão, Otávio Bauduino da Silva, Willian Guaristo França e Paulo Sérgio de Moraes ficaram feridos levemente e foram atendidos no ambulatório da penitenciária.
O delegado de polícia de Presidente Bernardes, Glauco Roberto Marques Moreira, que acompanhou a operação, disse que a Polícia Militar não levou mais do que cinco minutos para controlar a situação. Os presos tentaram impedir o avanço dos policiais colocando fogo em colchões, mas o corpo de bombeiros, conseguiu apagar rapidamente as chamas. Durante a rebelião, segundo o delegado, várias dependências administrativas do presídio, além do refeitório e outras instalações, foram destruídas pelos amotinados.