Valmir Denardin,
de Foz do Iguaçu
O ministro de Justiça e Trabalho do Paraguai, Silvio Ferreira, destituiu ontem o diretor do Presídio Regional de Ciudad del Este, Gerardo López Benegas, acusado de ordenar a tortura de presos. Dos mais de 500 detidos na unidade, localizada na fronteira com Foz do Iguaçu, 97 são brasileiros acusados de ter cometido crimes no país vizinho.
Para o lugar de López Benegas, o ministro designou Alfredo Eustaquio Rodríguez – que ocupava o cargo de vice-diretor do presídio de Tucumbú, em Assunção – empossado ainda ontem. O ex-diretor nega as acusações.
As denúncias contra López Benegas motivaram duas rebeliões no presídio de Ciudad del Este entre o final de dezembro e o último dia 3. Os presos denunciavam a prática de maus-tratos e tortura, além de superlotação, falta de assistência jurídica e demora no julgamento dos processos. A capacidade do presídio é para apenas 225 pessoas.
Nas duas rebeliões, os presos exigiam a saída do antigo diretor. Durante a transferência de 23 detentos - acusados de serem os líderes da primeira rebelião - para Assunção, eles teriam sido espancados por policiais, sob ordem de López Benegas. Dois dos transferidos estão internados em estado grave e um deles, se sobreviver, pode ficar cego de um olho.
No grupo de transferidos estão três brasileiros - Carlos Alexandre de Godoi, Antônio Carlos Alves da Silva e Renato Pereira Gonçalves.

mockup