Diretor de Investimentos da Previ deixa o cargo
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segunda-feira, 03 de janeiro de 2000
Por Ana Paula Nogueira, Alcides Ferreira e Márcio Anaya 
Rio, 03 (AE) - O diretor de Investimento da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Derci Alcântara, deixou hoje o cargo, depois do mal-estar surgido com a venda de um bloco grande de ações da Itaúsa. A informação foi dada por uma alta fonte do Banco do Brasil. Até o final da noite de hoje, o diretor não havia sido encontrado para comentar a sua saída.
Alcântara foi o responsável pela venda, no dia 29 de novembro, de um lote de 390.109.546 ações preferenciais da Itaúsa, holding controladora do Banco Itaú, Itautec, Duratex e outras empresas, ao preço mínimo de R$ 1.365,00 por lote de mil. O lote total ofertado pela Previ correspondeu a 19,09% das preferenciais e 12,55% do capital total. A venda, que movimentou R$ 555,704 milhões, causou inúmeros descontentamento, a começar dentro da administradora de recursos do banco (BB DTVM), que foi preterida da intermediação da operação.
Segundo fontes do mercado, a Previ teria pago uma comissão de R$ 20 milhões à corretora CS First Boston Garantia para fazer a venda. "Só que o grande mal-estar foi causado dentro do Banco do Brasil com alta dos papéis em bolsa, depois da venda", explicou a fonte. No dia do leilão, segundo dados da Economática, o papel fechou a R$ 1.370,86 por lote de mil. Portanto, o papel foi vendido no leilão 0,42% abaixo do preço de mercado. Além disso, a ação ainda subiu 36,4% do dia do leilão até o fechamento do ano. Hoje o papel subiu mais 2,67%, para R$ 1.920,00 por lote de mil.
Além do lote ofertado pela Previ, de 390.109.546 papéis, foram vendidas por terceiros outras 17.000.000 ações, totalizando 407.109.546. O preço mínimo ficou em R$ R$ 1.365,00 por lote de mil. A Itaúsa comunicou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no dia 1º de dezembro, a recompra de 203.001.584 ações preferencias, no leilão realizado pela Previ. O lote corresponde a 6,53% do capital total da Itaúsa. A companhia afirmou que os papéis seriam mantidos em tesouraria, podendo ser cancelados. A operação foi coordenada pelo Banco Credit Suisse First Boston Garantia, que teria ficado com o restante do lote vendido no leilão, segundo a revista "Época".


