Diretor de Bangu 3 é assassinado no Rio
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quarta-feira, 06 de agosto de 2003
Clarissa Thomée Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Rio - A polícia do Rio investiga a hipótese de o diretor de Bangu 3, Abel Silvério de Aguiar, morto na noite de terça-feira, ter sido vítima de traficantes do Comando Vermelho aliados a agentes penitenciários. De acordo com o chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Álvaro Lins, agentes que temiam ser descobertos por terem se omitido em relação à morte do traficante Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP do Morro Dona Marta, estrangulado por outros presos dentro do presídio, são suspeitos de passar informações sobre os hábitos de Aguiar.
Segundo essa linha de investigação, a morte do diretor teria sido ordenada por Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP do Morro do Alemão, preso em Bangu 1. Ele é o principal suspeito do assassinato de Márcio Amaro de Oliveira. O objetivo dele seria atrapalhar as investigações que estavam sendo feitas por Aguiar. O diretor havia prestado depoimento sobre o crime na véspera de sua morte. Bangu 3 abriga 791 presos da facção criminosa Comando Vermelho.
Para Álvaro Lins, reforçaria essa tese a suposta participação do traficante Bruno Lemos de Carvalho, o Bruninho G-3, na execução. ''Temos a informação de que ele é um dos executores'', disse Lins.
Bruninho é um dos homens do Comando Vermelho em liberdade, participou do tráfico no Complexo do Alemão e hoje está na Vila Kennedy, para onde os assassinos de Aguiar teriam fugido depois da execução. Uma testemunha, policial da delegacia de Mesquita (Baixada Fluminense), contou que eles deixaram o local rindo, comemorando.
Aguiar foi fechado por um Vectra, um Tempra e uma picape quando trafegava com seu Corsa pela Avenida Brasil. Pelo menos quatro homens desceram dos carros e descarregaram suas armas no diretor de Bangu 3. Ele levou pelo menos 10 tiros. Há duas semanas, o coordenador de segurança do complexo de Bangu, Paulo Roberto Rocha, foi assassinado no mesmo local e horário.
O subsecretário de Administração Penitenciária do RJ, Aldney Peixoto, não descarta que tenha havido conivência de agentes penitenciários no crime. Aguiar, que tinha 43 anos e deixou dois filhos, havia sido informado de um plano para matá-lo havia duas semanas, mas não acreditava que seria morto e dispensou a proteção. Durante o enterro, o ex-presidente do Sindicato de Agentes Penitenciários Francisco Rodrigues afirmou que a categoria está em ''pânico''. ''Vivemos um clima de tensão durante 24 horas''.


