Diretor da Sadia teme restrição argentina contra frango brasileiro
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quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 23 (AE) - O presidente do Conselho de Administração do Grupo Sadia, Luiz Fernando Furlan, disse hoje que o setor agrícola brasileiro foi informado da possibilidade de o governo argentino estar estudando a adoção de algumas medidas restritivas para a entrada de frango brasileiro naquele mercado. Furlan acredita que algumas ações isoladas, como é o caso das restrições aos têxteis e aos calçados, acabam "contaminando" outros setores. Mas o setor não vai aceitar medidas arbitrárias por parte da Argentina, principalmente por não existir argumentos concretos para adoção de medidas semelhantes. "Se a Argentina vier a adotar restrições contra os frangos, queremos que elas sejam caracterizadas como sendo totalmente arbitrárias, não havendo razão para isso", alertou o executivo da Sadia.
Furlan informou ainda que o setor agrícola brasileiro está dialogando com a sua contrapartida argentina e acompanhando o movimento e as pressões dos produtores de frangos argentinos. "Sabemos que o governador da província de Entre Rios levou ao governo Menem documentos sem base técnica para pressionar com o objetivo para que se adotem medidas restritivas", disse Furlan. De acordo com ele, não há base técnica para que o governo argentino venha a adotar esse tio de medida.
Primeiro porque a participação brasileira no mercado argentino de frangos é menor que 8% e, depois, pelo fato de as exportaçeões brasileiras do produto, entre janeiro e agosto deste ano, terem caído 11% em volume e 15% em valor.
Furlan informou também que se houver algum dano contra o setor agrícola argentino, o lado brasileiro aceitaria um acordo de limitar as exportações a 55 mil toneladas, mas com a condição de que o governo argentino retire a investigação de dumping que está em andamento.
Furlan voltou a repetir que um acordo de restrição voluntária por um determinado período e em qualquer setor é um dos caminhos para resolver contenciosos comerciais como os que estão ocorrendo copm a Argentina.


