O desencontro de informações entre os diversos órgãos que estão investigando a morte do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Candói, Antonio Tavares Pereira, 38 anos, culminou com a definição de apenas um porta-voz de todas os passos das investigações sobre os desdobramentos do conflito. É o delegado Leonyl Ribeiro, diretor-geral da Polícia Civil. A Polícia Militar deverá auxiliar nas investigações, com um inquérito policial militar (IPM) já instaurado e que está sendo conduzido pelo coronel Elói dos Reis.
Na semana passada, foi divulgada a informação de um pedido do subcomandante da Polícia Militar e chefe do Estado-Maior, coronel Sanderson Diotalevi, para que as investigações fossem feitas exclusivamente pela corporação após o anúncio de que o tiro que matou o sem-terra teria sido dado por um PM que estava dentro de uma viatura (caminhonete) amarela. A dedução foi do delegado de Homicídios, Fauze Salmen, responsável pelo inquérito.
‘‘Achei que o inquérito havia sido concluído, por isso disse que a Polícia Militar deveria assumir as investigações’’, justificou o subcomandante, dizendo que o procedimento de praxe, na conclusão de um inquérito, é seguir para a Auditoria Militar, Corregedoria Militar, Poder Judiciário e retornar para a Polícia Militar. ‘‘Mas isto só ocorreria caso o inquérito estivesse concluído e caso fosse confirmada a autoria do homicídio’’, declarou o subcomandante da PM.
Diotalevi também não poderá mais falar sobre o caso com a imprensa, assim como os demais responsáveis por inquéritos, delegados Fauze Salmen e Osmar Dechiche (que investiga possíveis excessos cometidos por policiais militares durante o confronto, na BR-277, em Campo Largo). ‘‘A Secretaria de Segurança irá centralizar tudo para impedir que informações desencontradas sejam passadas para a imprensa’’, tratou de reforçar o subcomandante.

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