O diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti, disse que sua ‘‘situação ficará complicada se não conseguir demitir, pela segunda vez, o chefe da DRE (Divisão de Repressão a Entorpecentes), Marco Antônio Cavaleiro, afilhado político do senador Romeu Tuma (PFL-SP).
A exoneração de Cavaleiro foi publicada no ‘‘Diário Oficial da União na última terça-feira. No dia seguinte, foi cancelada por interferência de Tuma, na condição de líder interino do governo, com o ministro Renan Calheiros (Justiça). O senador nega a interferência. ‘‘Após quatro anos, tenho experiência para fazer modificações para melhorar a PF, disse Chelotti à ‘‘Folha de S.Paulo’’.
‘‘Eu levei o pedido de demissão ao ministro e ele aceitou , acrescentou. A demissão de Cavaleiro, segundo Chelotti, visa completar modificações que estão sendo feitas há quatro anos na DRE. Segundo ele, a divisão não deve mais fazer operações de repressão ao narcotráfico, ficando apenas encarregada de serviços de inteligência e de coordenação das operações. ‘‘Quando eu assumi, a DRE tinha 60 policiais e 40 carros em Brasília, enquanto a superintendência do Acre não tinha nenhum carro e poucos agentes , disse Chelotti. Na semana passada, antes de embarcar para Bahamas, onde foi investigar o caso do dossiê Caribe, Chelotti enviou para o Ministério da Justiça o pedido de exoneração de Cavaleiro, que foi assinado pelo secretário-executivo, Paulo Afonso Martins de Oliveira. Quando voltou a Brasília, Chelotti encontrou sua decisão anulada.

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