Cuiabá, 12 (AE) - O diretor-geral da Polícia Federal, Argílio Monteiro Filho, garantiu hoje (12), em Cuiabá, que em alguns dias estará resolvido o assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, encontrado morto no dia 7, no Paraguai. A operação policial envolve 100 policiais federais e 12 delegados que estão trabalhando nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além da Interpol (Polícia Internacional) e da Polícia Nacional do Paraguai.
Dezoito pessoas foram ouvidas. Dois suspeitos - o empresário Josino Guimarães, acusado de ser "corretor de sentença" - e o ex-policial militar Maurício Marques Ribeiro continuam presos. Há indícios de envolvimento deles no assassinato de Amaral."Tudo será feito para que a verdade venha à tona, doa a quem doer", disse Monteiro, sem descartar a possibilidade de alguns desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso serem convocados para depor na PF.
O corregedor-geral da 1ª região do Tribunal Regional Federal (TRF), Fernando Tourinho Neto, também está em Cuiabá para acompanhar as investigações. Ele reunirá na terça-feira os juízes federais no Estado para acompanhar de perto as investigações. Sem entrar em detalhes numa possível intervenção federal no Estado, ele disse que a decisão caberá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), instituição à qual os desembargadores são subordinados.
O superintendente da PF no Mato Grosso, Cláudio Luís Rosa, reassumiu hoje o cargo. O delegado Jorge Luís Bezerra dos Santos - que desvendou o caso da máfia dos coronéis da Polícia Militar alagoana - será o coordenador do inquérito. As investigações agora estarão a cargo do delegado José Pinto de Luna, da superintendência paulista da PF. Ele desvendou o assassinato do delegado da PF, Alcione Serafim Santana, em 98, observando um pequeno detalhe da roda de um automóvel e levou à prisão um outro delegado também da PF que tinha envolvimento com o tráfico de drogas em SP.
Nesta segunda-feira , às 9 horas, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em MT (OAB/MT), Ussiel Tavares, se reúne com o presidente da entidade em Brasília, Reginaldo Castro. A OAB vai fazer um rastreamento de todas as denúncias feitas pelo juiz Leopoldino Marques do Amaral no Supremo Tribunal Federal (STF), CPI do Judiciário e STJ. "Vamos ter acesso a todas as denúncias protocoladas. O fato do juiz ter sido processado não as invalida", disse Tavares.
Uma caravana com mais de 200 estudantes universitários de Cuiabá vai a Brasília pedir intervenção federal em MT. Em Cuiabá, o Tribunal de Justiça convocou uma reunião de urgência para amanhã com os juízes. Motivo: analisar o "Caso Amaral".

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