Washington, 16 (AE) - "É uma certa arrogância desses jovens da classe média branca de um país rico protestarem em nome dos povos dos países em desenvolvimento", disse o diretor da Organização Mundial de Comércio (OMC) Michael Moore, no início da tarde de hoje, comentando as manifestações que marcaram a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI). "A maioria não sabe sobre o que está falando." Moore, que viu a primeira reunião ministerial da OMC em sua gestão terminar num fiasco, em Seattle, em dezembro, mostrou frustração diante da versão menos dramática dos protestos contra a globalização realizados hoje em Washington.
"Culpar o Banco Mundial (Bird) e o Fundo Monetário Internacional pela pobreza no mundo é como acusar a Cruz Vermelha International de ter provocado a Primeira e a Segunda Guerra Mundial", disse ele, diante da sede FMI, depois de ser desviado do caminho por um policial por causa das barreira de segurança montadas em torno do prédio. "Como qualquer outra organização, FMI, o Banco Mundial e a OMC podem sempre melhorar, mas é estranho quando uma coalização de pessoas que inclui até elementos de extrema direita afirmar que a melhor maneira de tornar o mundo mais seguro é fechar essas instituições." Isso, segundo ele, "seria voltar atrás o relógio da história e tornar o mundo um lugar mais perigoso". Ele deu uma gargalhada ao saber que Patrick Buchanan, um jornalista ultra-conservador e protecionista que é o candidato da extrema direita americana à Presidência da República falaria mais tarde no grande comício da manifestação contra o FMI e o Banco Mundial, num parque próximo à Casa Branca.
Para o diretor da OMC, os protestos de Seattle, no fim de 1999, e as manifestações de hoje, em Washington, levantam também a questão da legitimidade das organizações não-governamantais envolvidas na prepararação. "O mundo viu coisas parecidas nos anos 30", disse.
"Hoje, as decisões de organizações como o FMI, o Banco Mundial e a OMC são tomadas por representantes de governos democráticos e há, a meu ver, um elemento antidemocrático nessas mobilizações."

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