Curitiba- O governador Roberto Requião (PMDB) assinou ontem a exoneração do diretor geral do Instituto de Criminalística (IC) do Paraná, Ari Ferreira Fontana, que foi preso anteontem por suspeita de participação num esquema de corrupção. Outros cinco funcionários do IC, incluindo o chefe da Divisão Técnica do Interior, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, foram detidos na terça-feira.
  Um interventor será nomeado temporariamente para a direção do instituto. Ele deve decidir se os outros funcionários detidos serão exonerados. Ontem, Fontana e Oliveira Filho prestaram depoimento à Promotoria de Investigação Criminal (PIC), que está levantando informações sobre o suposto esquema.
  As apurações apontaram que a ação criminosa estaria baseada no IC em Cascavel e Guarapuava, com coordenação da cúpula do instituto. Na ação de anteontem, foi preso também um médico da Prefeitura de Francisco Beltrão, suspeito de ser perito ‘‘fantasma’’ do IC em Cascavel. Ao contrário dos outros seis presos na terça-feira, ele não tinha mandado de prisão temporária - foi detido apenas porque estava ilegalmente em posse de uma arma de fogo quando seria notificado para depor.
  A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) encaminhou emergencialmente para Cascavel e Guarapuava sete peritos para trabalhar nas representações locais do IC. A ação visou suprir as lacunas de pessoal resultantes das prisões efetuadas anteontem. De acordo com a assessoria da Sesp, três peritos foram para Guarapuava e quatro para Cascavel. Por hora, o IC de Francisco Beltrão ficará fechado. Dois funcionários da prefeitura estão atendendo a população e um dos peritos que foram para Cascavel fará acompanhamento da situação no local.
  Segundo as investigações, os suspeitos cobrariam propina para ‘‘esquentar’’, por meio de laudos falsos, carros e caminhões com chassis adulterados, indícios de roubo ou furto. Além disso, o grupo exigia dinheiro de proprietários de veículos que passavam pela Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Cascavel para transferência de documentação. Os participantes do esquema alegavam que era preciso fazer uma perícia. Para emitir o laudo, os peritos envolvidos exigiam 10% do valor de mercado do veículo.
  De acordo com a assessoria do Ministério Público (MP), desde terça-feira várias pessoas estão procurando a promotoria para denunciar que foram vítimas da extorsão apontada na investigação. O MP deve pedir prisão temporária de mais suspeitos de participação no esquema. Até o final da tarde de ontem, a assessoria da promotoria e a Sesp não haviam confirmado se o ex-funcionário da Ciretran de Cascavel que teve prisão decretada havia sido detido.

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