Guarulhos, SP, 20 (AE) - O diretor da Câmara de Guarulhos, na Grande São Paulo, Sérgio Deboni, afirmou, em depoimento ao Ministério Público (MP), que a prefeitura e parte dos vereadores receberam R$ 2 milhões de propina, em 1997, para aprovar mudanças na lei que diminuiu a distância exigida entre depósitos de combustível e creches e escolas. A Lei 5.112, de autoria do então prefeito Néfi Tales, foi aprovada com 19 votos favoráveis e só dois contrários.
Segundo o diretor, que está sob proteção da polícia por conta das denúncias, as informações sobre o acordo lhe foram passadas pelo presidente da Câmara na época, Fausto Martello (PPB). "Ele disse-me que foi colocado de fora do esquema", contou.
De acordo com Deboni, metade do valor foi dividido entre os vereadores e o restante, repassado para a prefeitura. Ele não soube dizer se o então prefeito ou algum funcionário do alto escalão foi o beneficiário da propina.
O vereador Edson Albertão (PT) disse que, em 1997, quando foi discutida, a lei referia-se apenas ao depósito da Companhia Paulista de Distribuição, que estava em processo de instalação no Jardim Arapongas, região industrial de Cumbica. A cópia da ata da sessão de 19 de setembro de 1997, na qual foi aprovada a diminuição da distância de bases de distribuição de combustíveis para escolas e creches, de 1 mil para 200 metros, indica que a medida foi votada sem maiores discussões.
O projeto foi aprovado, no mesmo dia, em duas votações, sem que os parlamentares tivessem condições de vistoriar o local onde seria instalada a base. "Naquele dia, os governistas passaram um trator sobre a oposição", disse Edson Albertão, que votou contra a proposta com o companheiro de partido, Orlando Fantazini.
No pronunciamento na sessão, Fantazini propôs, ironicamente, que o nome da Câmara de Guarulhos fosse trocado para Secretaria de Negócios. Ele considerava que, com a votação, o Legislativo tinha agido mais como uma agência de desenvolvimento do que como órgão fiscalizador.
Edson Albertão afirmou que sempre desconfiou de que teria havido algum acordo para a votação do projeto. "Estranhei a forma como essa matéria foi aprovada."
Tales disse que não viu, na época, nenhuma irregularidade. "Considerei que o depósito traria empregos e maior arrecadação de impostos e a mudança tinha sido aprovada pela Câmara, o que lhe trazia credibilidade." Tales negou ter recebido propina e afirmou que processará Deboni pelas afirmações. O advogado de Martello, Cid Vieira de Souza Filho, afirmou que o cliente não se pronunciará sobre o assunto.

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