São Paulo, 22 (AE)- O diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP) Luiz Augusto Horta Nogueira criticou há pouco os aumentos de preços do álcool combustível praticados pelos usineiros durante seminário sobre a qualidade dos combustíveis, realizado na Fiesp em São Paulo. "Há um movimento oportunista de aumento de preço", afirmou ele. Segundo Nogueira, a alta do preço do álcool acontece no momento inadequado, quando os veículos movidos a esse combustível vêm apresentando expansão. Na sua opinião, os efeitos destes reajustes, que podem chegar a 30% este mês, segundo previsões da Fipe, tornam o mercado de carros a álcool "hesitante".
O diretor da ANP afirmou ainda que a opção pelo álcool é da sociedade brasileira e por isso mesmo ele defende que haja mais previsibilidade e credibilidade no programa de incentivo ao consumo desse combustível. Nogueira, no entanto, acredita que o carro a álcool continuará vantajoso para o consumidor enquanto esse combustível custar 75% do preço da gasolina. Nogueira defendeu ainda o uso do gás natural misturado ao álcool, opção que considera mais eficiente do que combinação gás natural/gasolina.
O diretor da ANP também mostrou durante sua palestra no seminário os últimos resultados do trabalho de monitoramento do controle da qualidade de combustíveis realizado pela agência em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP. Segundo dados da pesquisa, entre janeiro e outubro deste ano, dos 1.023 postos analisados, 9% das não-conformidades foram observadas na gasolina, 13,5% no álcool e 10% no diesel.
De acordo com Nogueira, os Estados são os mais lesados na questão referente a sonegação de impostos do que os consumidores em relação a qualidade do combustível comercializado no País. Ele informou ainda que a meta da ANP é colher amostragem de combustíveis de cerca de 300 postos no Brasil, semanalmente. A agência mantém convênios com universidades e com outros órgãos ligados a área energética em outros estados para fazer esse monitoramento.

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