Rio, 09 (AE) - "O Cadin (Cadastro de Inadimplentes) é o principal entrave ao acesso das pequenas e médias empresas exportadoras ao crédito, por isso qualquer mudança já é um primeiro passo", afirmou o diretor da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro. Segundo o diretor, se o governo autorizar apenas uma renegociação das dívidas, o reflexo da medida nessas empresas será sentido em pelo menos um ano. "A renegociação às vezes é difícil ou demorada".
Castro afirmou que se o governo permitir que a decisão de conceder crédito não passe pela consulta ao Cadin, o prazo desse reflexo cai para seis meses. O diretor vale-se da estatística de que 86% das pequenas e médias empresas exportadoras têm problemas no cadastro ou atraso no pagamento do Programa de Integração Social (PIS) e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
O governo ainda pode facilitar mais o acesso das pequenas e médias empresas ao financiamento, explica Castro. Uma das medidas seria permitir que o fundo de aval inclua operações de Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE) e Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC). O fundo de aval, na verdade Fundo de Garantia para a Promoção da Competitividade (FGPC), foi criado com recursos do Tesouro Nacional e é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é garantir parte do risco de crédito das instituições financeiras em operações junto a micro, pequenas e médias empresas exportadoras que utilizem linhas de financiamento do BNDES.
Esse grupo de pequenas e médias empresas responde por 5% a 8% da receita de exportações brasileiras, de acordo com Castro. Mas são 95% do total de empresas exportadoras. Este ano, afirmou o diretor, as exportações do País devem ter queda de "no mínimo 3%".

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