São Paulo, 07 (AE) - O diretor-administrativo da Fundação Pró-Sangue - Hemocentro de São Paulo, José Henrique Lobo, deverá assumir interinamente a presidência da instituição, no lugar do médico Dalton Chamone, informou a assessoria de Imprensa do governo de São Paulo. Acusado na Justiça de enriquecimento ilícito e de contratar serviços superfaturados, Chamone e os diretores Pedro Enrique Llacer e Paulo Rossetti de Oliveira foram afastados de seus cargos por uma medida liminar concedida pela juíza da 14.ª Vara da Justiça Federal, Regina Helena Costa.
Lobo está na Fundação Pró-Sangue desde abril. Ele ocupa o lugar de Wesley Júnior, também acusado de irregularidades e já afastado. Seu nome foi indicado ao conselho da fundação pelo governador, tão logo surgiram as denúncias de supostas irregularidades. Na época, cogitou-se também o afastamento de Chamone, mas a hipótese foi descartada. Até o começo da noite, os diretores ainda não haviam sido pessoalmente comunicadados sobre a liminar. Mas Américo Lacombe, advogado dos diretores, adiantou hoje que vai recorrer. "Estamos esperando somente o comunicado oficial", contou. Segundo o advogado, se o Tribunal Regional Federal conceder efeito suspensivo da liminar, "eles permancem no cargo até que o recurso seja julgado". Temor - O clima hoje na Fundação Pró-Sangue era de expectativa. Nada se falou sobre a troca da direção. No fim da tarde, funcionários realizaram uma assembléia para discutir o destino dos profissionais sem concurso que atuam na instituição. O temor dos funcionários foi provocado por outra liminar, concedida também pela juíza Regina Helena. Nessa liminar, foi determinada a interrupção, em um prazo de 120 dias, do repasse de verbas da Fundação Pró-Sangue para pagar funcionários da Fundação do Sangue que prestam serviços ao Hemocentro. A Secretaria da Saúde informou que vai pedir um prazo maior, pois não há como realizar um concurso em apenas 120 dias.
Atualmente existem duas ações em curso, propostas com base em supostas irregularidades cometidas pela diretoria da Fundação Pró-Sangue e da Fundação do Sangue. Todas feitas a partir de um relatório preparado pelo Ministério Público Federal. Entre as irregularidades denunciadas, está a contratação de empresas de fachada para pagar funcionários e o suposto enriquecimento ilícito de Dalton Chamone. De acordo com o relatório, a empresa Somatos Diagnóstico Clínico, laboratório do qual Chamone foi sócio, teria usado os serviços da Fundação Pró-Sangue gratuitamente. "O não-pagamento certamente é uma falha no controle contábil", justificou Lacombe.

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