Diretor afirma que guarda acusado de matar jovem "tem condições de ficar na PEL 2"
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terça-feira, 13 de novembro de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
Atendendo uma intimação da juíza substituta da 1ª Vara Criminal, Claudia Andrea Bertolla Alves, o diretor da PEL 2 (Penitenciária Estadual de Londrina), Reginaldo Peixoto, assegurou nesta segunda-feira (12) que o guarda municipal Fernando Ferreira das Neves, acusado de matar o estudante Matheus Ferreira Evangelista, 18 anos, no dia 11 de março, "tem plenas condições de permanecer no presídio porque está na ala de seguro com apenas dois presos e separado dos outros detentos".
O ofício foi enviado assim que o advogado Marcelo Aparecido Camargo, que defende o agente, afirmou que ele vinha "sofrendo ameaças" depois que o ex-guarda Ricardo Leandro Felippe, que matou três pessoas e feriu outras três em abril de 2017, foi encontrado morto em um das celas da PEL 2. O caso foi tratado como suicídio pela Polícia Civil. "Eles (presos) já mataram um e estão dizendo que vão matar outro", informou o defensor em recurso apresentado à Justiça. Ele pediu a transferência do acusado para alguma unidade da Guarda Municipal.

Diante de possíveis retaliações, Peixoto garantiu que "sempre foram tomados os cuidados de não misturar detentos do setor de seguro com o resto da massa carcerária, inclusive nos banhos de sol e visitas em dias específicos para que sejam preservadas a segurança e integridade física do preso".
Agora, a magistrada vai decidir se mantém ou não o GM na unidade, onde está há mais de sete meses. Procurado pela FOLHA, Camargo comentou que ainda não foi intimado da manifestação da direção da PEL 2, mas adiantou qual será o posicionamento da defesa em um eventual indeferimento do pedido de transferência. "Vou pleitear a remoção do Neves para a vaga aberta pelo Michael Garcia", observou.
Garcia, também denunciado pelo Ministério Público por envolvimento no assassinato de Matheus, obteve um habeas corpus na última sexta-feira (9) no Tribunal de Justiça. O desembargador Telmo Cherem determinou a saída dele de um dos destacamentos do Corpo de Bombeiros de Londrina, onde estava desde o fim de julho depois de ter deixado a PEL 1, no jardim Cafezal, região sul, por meio de decisão judicial.
O TJ ordenou que o réu seja reincorporado ao quadro de funcionários da Guarda Municipal, mas que cumpra apenas "serviços internos e burocráticos", e use tornozeleira eletrônica.
Júri popular
Fernando Neves foi acusado pelo promotor Ricardo Domingues de homicídio qualificado, fraude processual e falsidade ideológica, este último por, conforme as investigações, ter escrito no boletim de ocorrência que o tiro que matou o estudante não partiu de um guarda, mas sim de outra pessoa.
Já Michael Garcia responde por fraude processual. Ele foi denunciado por ter auxiliado no transporte do rapaz baleado até o Hospital da Zona Norte e também por ter dado um tiro para cima enquanto atendia a ocorrência. Os dois vão a júri popular, ainda sem data para acontecer.
Versões de um lado e outro
Para a Delegacia de Homicídios, os guardas contaram que foram chamados por moradores do jardim Porto Seguro, bairro da zona norte onde o crime aconteceu, para atender um acionamento de perturbação de sossego. A polícia apurou que Matheus participava de uma festa com amigos em uma casa e acredita que ele tenha sido morto durante uma abordagem. Essa foi a versão apresentada pelas testemunhas, a maioria colegas da vítima.
Os acusados rechaçaram estes detalhes. Eles ponderaram que o jovem já estava baleado quando chegaram à residência onde a festa estava acontecendo.
Terceiro envolvido
O processo do homicídio de Evangelista também envolve o também GM João Victor Goés Arruda, que dirigia a viatura. Porém, após um acordo com a Justiça, a denúncia de fraude processual contra ele foi suspensa. Em troca, o servidor deve comparecer mensalmente ao Fórum.


