Direto da CUT diz que central depende de dinheiro público
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 07 (AE) - A chamada esquerda da Central Única dos Trabalhadores (CUT) lança amanhã uma candidatura própria para disputar a presidência da central, em agosto de 2000, e promete abrir o debate sobre assuntos delicados, até hoje mantidos bem distantes das bases. Por exemplo, segundo essas facções, 42% de receita do sistema CUT provém hoje de dinheiro de um fundo público, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), e não dos sindicatos e seus associados.
A dependência de que esse dinheiro seja liberado todos os anos pelo Ministério do Trabalho, segundo os integrantes dessa esquerda, é grande, pois, do contrário, "o sistema sindical brasileiro entraria em colapso".
A CUT recebeu este ano R$ 21 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para desenvolver programas de qualificação profissional e recolocação de desempregados. Não foi a única. A Força Sindical recebeu recursos em valor próximo a esse. Mesmo centrais sindicais menores começam a ganhar polpudas verbas do governo para desenvolver programas.
Todos os anos, o ministro do Trabalho faz a distribuição de cheques e assina convênios com as centrais, prevendo as formas de utilização dos recursos. Uma vez gasto o dinheiro, as centrais prestam contas de como o utilizaram.
Só que agora as duas maiores correntes da esquerda da CUT - Alternativa Sindical Socialista (ASS) e Movimento por uma Tendência Socialista (MTS) - resolveram que o próximo congresso da entidade necessariamente terá de discutir essa dependência do FAT. E decidiram ainda apoiar o nome de Jorge Luís Martins, atual secretário de política sindical da CUT , para a sucessão de Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho.
Parceria - Mesmo sem confirmar que é candidato, Jorginho
como é conhecido, diz que seu nome está à disposição dos "companheiros" e já critica a atual forma de sustentação da central e sua dependência do governo. "Segundo o último levantamento que nos foi apresentado, 42% do orçamento do sistema CUT vem hoje do FAT, ou seja, uma central que nasceu para romper com a tutela do Estado hoje faz parceria com o governo federal", afirma Jorginho.
Para ele, um dinheiro que deveria ter "controle público" está sob controle das centrais sindicais, sem nenhum acompanhamento da sociedade. "Está havendo um rateio do dinheiro público entre as centrais sindicais, o que é no mínimo perigoso", diz. "Se o governo resolver de uma hora para outra fechar a torneira do FAT, haverá um colapso no sistema sindical brasileiro."
Jorginho teme também que denúncias de má utilização desses recursos por parte de uma ou outra central sindical comecem a aparecer, acabando com a reputação de todo o movimento sindical, mesmo daquela parte que se recusou a "monopolizar" os recursos.
"Existem categorias e sindicatos na CUT que não aceitaram essa fórmula de monopólio sindical de um dinheiro que é da sociedade, é público", declarou Jorginho.
O lançamento de sua candidatura será feito em reunião da Direção Nacional da CUT, em São Paulo, amanhã, pelo MTS. Trata-se da primeira iniciativa para abrir o debate sobre a sucessão na central, que promete ser muito tumultuado, pois a corrente majoritária Articulação - no poder desde a fundação da CUT, há 16 anos - ainda não conseguiu consenso sobre o nome do sucessor de Vicentinho.


