SÃO PAULO - O presidente Fernando Henrique assina hoje o ato de criação da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Segundo FHC, a Secretaria faz parte do Programa Nacional de Direitos Humanos, mas ele admitiu que o episódio de Diadema precipitou a medida tomada pelo governo. ‘‘Nós estamos ficando até sem palavras para dizer cada vez que há um ato de violência, porque, obviamente, os responsáveis não são os governantes no topo do governo, mas se sentem responsáveis’’.
FHC disse ainda ‘‘que é preciso que no dia-a-dia os brasileiros todos estejam vendo que o grau de avanço que existe no Brasil de hoje é incompatível com esses atos de violência, com essa coisa que solapa a nossa moral’’.
Apesar da grande repercussão negativa do caso de Diadema para a imagem do País, o presidente afirmou que a preocupação maior deve ser interna. ‘‘Lá fora não é o problema, eu estou pouco preocupado. Eu acho que a questão da nossa autoestima é que está em jogo’’.
SecretárioO primeiro secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, também admitiu que o episódio paulista precipitou a decisão. ‘‘É claro que os acontecimentos deram maior velocidade a essa decisão’’, afirmou Gregori. Segundo ele, o primeiro plano na Secretaria é realizar uma avaliação do modelo vigente das polícias-militares. ‘‘O primeiro problema é que em todo o Brasil não existe confiança, a população não se sente segura com a polícia nos moldes em que ela atua’’, disse.
Gregori também defendeu a necessidade de uma reformulação total das PMs. Ele adiantou que uma das tarefas da nova Secretaria será acompanhar de perto as investigações do massacre de Diadema, Carandiru, Corumbiara e Eldorado dos Carajás.

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