Curitiba - Membros da representação regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PR) estiveram ontem no Centro de Triagem, em Curitiba, para avaliar as condições da carceragem ocupada por mulheres. ''As condições do Centro de Triagem estão longe das ideais, mas estão melhores do que as que verificamos no 9º Distrito Policial (DP), que vistoriamos em setembro e que estava com um ambiente úmido, infecto e superlotado'', comentou Isabel Kugler Mendes, secretária da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PR, após a visita.
Segundo a Polícia Civil, a maior parte das presas do Centro de Triagem veio do 9º DP. Outras, da Delegacia de Quatro Barras (Região Metropolitana de Curitiba) e da Divisão de Narcóticos. O Centro de Triagem era ocupado por homens, mas passou recentemente por reformas e hoje a carceragem recebe apenas mulheres. A unidade tem capacidade para 102 pessoas e ontem estava com 96 presas.
As detidas fizeram várias críticas às condições do Centro de Triagem. ''Só podemos receber visitas uma vez por mês, não podemos fumar, a comida é horrível'', reclamou Daniele da Rosa, que veio do 9º DP. Patrícia Pinheiros dos Santos disse que os banhos de sol são poucos e também falou mal da comida. ''É um chá gelado e um pão de manhã, marmita no almoço e no final da tarde. A comida é muito ruim'', criticou.
Roberto Fernandes, delegado do Centro de Triagem, disse que houve dificuldades para oferecer os banhos de sol logo após a reforma, mas que o problema já foi contornado. ''Não deixamos mesmo as presas fumar. Quem não fuma não é obrigado a aguentar a fumaça num ambiente pequeno. Quanto às visitas, essa periodicidade (uma por mês) é a mesma do sistema penitenciário. A comida é boa, tem muito operário que não tem uma comida boa assim. As presas sempre vão reclamar. Garanto que não vão falar das coisas boas'', afirmou o policial.
''Temos o dever de acompanhar as condições dos nossos presos, pois é um assunto que interessa a toda a sociedade. O princípio da prisão é a recuperação. Se você coloca pessoas que praticaram delitos num ambiente sem condições, vai criar verdadeiras feras'', disse Isabel Mendes.

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