Direitos do trabalhador estão ameaçados
Direitos do trabalhador estão ameaçados
Reunidos em congresso, magistrados da área trabalhista apontam tentativas de subtrair garantias asseguradas pela Constituição
Projeto do senador
Leonel Paiva propõe
a extinção da
Justiça do Trabalho
DivulgaçãoPosiçãoPara o juiz Arion Mazurkevic, presidente da Amatra, extinção da Justiça do Trabalho é prejudicialOs juízes do Trabalho encerraram seu congresso nacional, realizado em Curitiba, manifestando profunda inquietação com a situação econômica do Brasil. Na Carta de Curitiba, divulgada ontem, os juízes se mostram preocupados com o aumento desenfreado do desemprego e pela supressão maciça de postos de trabalho. Mais grave, segundo a carta, é a falta de alternativa política clara para a solução destes problemas.
Ao lado de uma série de propostas (veja texto ao lado), a Carta de Curitiba deixa claro, ainda, que os participantes do congresso não concordam com as tentativas de subtrair dos trabalhadores as garantias e direitos assegurados pela Constituição da República e legislação infra-constitucional, precarizando as relações de trabalho e fazendo com que, mais uma vez na história desta Nação, os menos favorecidos suportem as consequências da crise econômica e das duvidosas transformações que se processam na economia.
Extinção - O IX Conamat (Congresso Nacional dos Magistrados do Trabalho), realizado entre os dias 20 e 23, propôs como tema dos debates a situação atual da Justiça do Trabalho, discutindo se ela seria um entrave ou uma solução. Ao concluir que a Justiça precisa se aprimorar para ser uma solução, como explica o presidente da Amatra (Associação dos Magistrados do Trabalho da 9ª Região), Arion Mazurkevic, os participantes repudiaram o projeto do senador Leonel Paiva (PTB/DF), que propõe a simples extinção da Justiça do Trabalho.
A proposta em nada beneficia o processo, argumenta Mazurkevic. Segundo ele, o projeto incorpora a Justiça do Trabalho à Justiça comum, causando o risco de que, na verdade, até aumente a demora no andamento dos processos. Para se ter uma idéia, a cada ano, cerca de 2 milhões de ações são ajuizadas. A transferência, além de representar apenas uma mudança estrutural, não teria qualquer eficácia, afirma Mazurkevic, e sobrecarregaria, ainda mais, a Justiça comum.
Mazurkevic salienta que o problema não está apenas na demora na solução das ações, que ele considera um conflito social. O presidente da Amatra afirma que um número tão alto de ações revelam uma crise social e não uma crise da Justiça do Trabalho. A tendência é crescente há muito tempo, diz Mazurkevic, referindo-se ao aumento de ações trabalhistas. Em 1996, por exemplo, foram ajuizadas 1,8 milhão de ações; em 1997, já foram 2 milhões.
O congresso analisou também uma série de propostas para enfrentar a morosidade da Justiça, inclusive de alteração legislativa. E aprovou a criação de comissão para estudar propostas de reforma do processo e do Direito material.





