Direita italiana irada com comentários de Schroeder
Roma, 17 (AE-AP) - A direita italiana se mostrava indignada hoje (17)com uma entrevista do chanceler alemão, Gerhard Schroeder, na qual ele teria dito que a União Européia deveria intervir se neofascistas chegassem ao poder na Itália.
"Uma provocação vulgar que deveria ser arrancada pela raiz", declarou Gianfranco Fini, líder da Aliança Nacional, que surgiu das cinzas do partido de Benito Mussolini ao fim da Segunda Guerra Mundial e conta entre seus membros com a neta do ditador.
Fini e outros irritados conservadores prometeram pressionar o presidente e o ministro do Exterior da Itália para apresentar uma dura crítica a Schroeder, um centro-esquerdista como os líderes do governo italiano.
A Aliança Nacional fez parte da coalizão governamental do magnata da mídia Silvio Berlusconi em 1994, para a consternação aberta de muitos líderes europeus.
Apesar de alguns deles terem esnobado Berlusconi por causa da Aliança Nacional, eles nunca foram tão longe quanto a União Européia em sua condenação ao novo governo da áustria, que inclui o Partido da Liberdade, de extrema-direita, de Joerg Haider.
Berlusconi, agora o líder da oposição, disse que pediu ao ministro do Exterior Lamberto Dini para pedir um "esclarecimento" a Schroeder. Fini prometeu levar a questão diretamente para o presidente Carlo Azeglio Ciampi.
Mesmo o líder do maior partido de centro-esquerda da Itália, Walter Veltroni, da Esquerda Democrática, rejeitou comparações entre a Itália e a áustria. "A direita italiana teve uma fase de extremismo político, mas suas posições não são comparáveis à xenofobia e à nostalgia de Haider", disse Veltroni.
A Aliança Nacional tem tentado se livrar de seu maculado passado em anos recentes. Ela eliminou seus enfeites fascistas, mudou de nome, descartou estátuas e retóricas que evocavam a era Mussolini, e condenou o rascismo, anti-semitismo e totalitarismo.
O partido agora diz defender o orgulho nacional, capitalismo, e a lei e a ordem - posições que Alessandra Mussolini, neta do Il Duce, critica como sendo moderadas demais.
A entrevista de Schroeder ao jornal alemão Die Zeit foi publicada hoje na Itália pelo diário milanês Corriere della Sera. Perguntado se a UE seria mais dura hoje com a Itália do que foi em 1994 quando a Aliança Nacional era parte do governo de Berlusconi, Schroeder respondeu:
"Teria de ser, se neofascistas sentarem de novo à mesa do governo. Não podemos e não temos permissão de ficar atrás dos padrões que estabelecemos".





