São Paulo, 27 (AE) - A direção nacional do Partido dos Trabalhadores, reunida neste fim de semana em São Paulo, aprovou uma moção de solidariedade ao governo Olívio Dutra (PT-RS) no caso Padilha, de crítica à posição do governo federal no caso da negociação da dívida do Rio Grande do Sul e ao episódio dos estímulos para a transferência para a Bahia da fábrica da Ford. Também decidiu interferir no processo de filiação do PT carioca, ratificando a anulação de 107 núcleos sob suspeita de fraude e iniciando processo de auditoria nos 34 já existentes.
Em reunião do diretório municipal do PT , a ex-deputada Marta Suplicy (PT-SP) teve seu nome aprovado por unanimidade como candidata do PT à Prefeitura de São Paulo.
No caso do Rio, a criação de núcleos é parte da disputa pela eleição dos delegados que elegerão as novas direções. Recentemente, a vice-governadora do Rio, Benedita da Silva, havia ameaçado recorrer da decisão do diretório municipal de anular a formação de todos os núcleos. Ela explicou que a medida incluia núcleos criados regularmente. A legenda já contava com 34 núcleos, e mais 101 foram fundados por Roberto Marcos dos Santos, o Gaguinho, expulso do PSDC em 1998 sob acusação de vender legenda. Filiado ao PT, Gaguinho criou os núcleos suspeitos, todos com sede em sua casa.
Acompanhamento - A crise envolve a disputa entre as facções Refazendo e Articulação. No pano de fundo, está a campanha à prefeitura e as conversas que o governador Anthony Garotinho (PDT) estaria tendo com os petistas para ingressar no partido. Na reunião de hoje, a direção nacional indicou membros do diretório para acompanhar o processo de filiação no Rio de Janeiro, ratificou a decisão do diretório municipal carioca de tornar sem efeito as filiações e 107 núcleos suspeitos e colocou os 34 já existentes sub judice. O processo de auditoria deverá ser concluído em prazo de 15 dias.
Os dirigentes destacaram que é "antiregimental a deliberação do diretório regional do Rio de Janeiro, estabelecendo data para prazo de filiação diversa da estabelecida para os encontros do II Congresso - ou seja, 7 de julho". A facção Refazendo vinha propondo que só pudessem votar nas convenções de 1999 filiados até 31 de dezembro de 1998.

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