Curitiba- A direção do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) não pretende negociar com os funcionários técnico-administrativos que estão em greve desde a última segunda-feira enquanto não for cumprida a exigência de manutenção de todos os serviços de urgência e emergência da instituição. ''É inaceitável a paralisação de áreas críticas porque põe em risco à vida das pessoas'', disse ontem o diretor Giovanni Loddo, que convocou uma entrevista coletiva com a imprensa. Loddo quase não conseguiu dar entrevista. Um grupo de grevistas queria garantir a participação da classe sindical na conversa com os jornalistas, mas foi impedido de entrar no gabinete da direção.
Loddo disse que no isolamento estão internados 14 pacientes e apenas dois funcionários (dos três) estariam fazendo atendimento. O mesmo ocorreria com a Unidade de Terapia Intensiva (UIT) cardíaca. Na terapia semi-intensiva, 15 pacientes estariam internados e sete funcionários estariam em greve. ''Eu não tenho o que fazer, senão esperar compreensão dos funcionários grevistas. Pela primeira vez eles estão radicalizando. Nós já não estamos mais aceitando novos internamentos no hospital. Mas não podemos evitar de encaminhar um paciente doente já internado e de alto risco para a UTI, por exemplo'', ponderou Loddo. Atualmente, 345 pacientes estariam internados no hospital.
Outra reclamação de Loddo é que o número de cirurgias teria caído de 40 para 14 por conta da greve. Até as cirurgias de emergência estariam sendo prejudicadas. ''É inegociável qualquer coisa enquanto estivermos prejudicando os doentes. Temos falta de material às vezes. Mas as cirurgias estão sendo canceladas por falta de pessoas'', disse Loddo.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Ensino de Terceiro Grau (Sinditest), José Carlos Belotto, negou que o cancelamento das cirurgias esteja ocorrendo por falta dos trabalhadores em áreas emergenciais. Ele garantiu que o cancelamento ocorre por falta de gerência e material cirúrgico. ''Vinte cirurgias antes da greve foram canceladas por falta de escovinha de mão'', declarou.

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