Curitiba, 01 (AE) - De olho no potencial de consumo dos Estados do Sul do País e no Mercosul, a direção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) lançou hoje à tarde, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a pedra fundamental da subsidiária da empresa, a Cisa. A empresa vai produzir, a partir de 2002, cerca 350 mil toneladas por ano de aços galvanizados, galvalume e pré-pintados para as indústrias da construção civil e de eletrodomésticos.
A Cisa faz parte de estratégia da CSN para manter a liderança na produção nacional de aço galvanizado. Cerca de 80% do produto sai da siderúrgica. A Cisa vem para consolidar este mercado, disse a presidente da companhia, Maria Silvia Bastos Marques. Cerca de US$ 250 milhões serão investidos na construção da subsidiária para que a empresa possa gerar US$ 280 milhões, que representam 15% do faturamento anual da CSN. Ela ficar no terreno de um antigo haras desapropriado pela prefeitura de Araucária, às margens da Rodovia do Xisto, principal acesso ao município, que reúne empresas das áreas petroquímica e de fertilizantes.
A partir de outubro, a CSN deve inaugurar na nova unidade o Centro de Servio, onde o aço galvanizado pode ser cortado e dobrado. A estimativa da empresa é de que cerca de 2 mil empregos sejam gerados na construção da Cisa. Em operação, o número de postos de trabalho diretos e indiretos deve ser de 1.500. O presidente do Conselho de Administração da CSN, Benjamin Steinbruch, declarou que o investimento em Araucária era necessário diante do crescimento de dois setores atendidos pela siderurgia brasileira: o de eletrodomésticos e o de construção civil.
Steinbruch adotou um discurso nacionalista no lançamento da pedra fundamental. Ele defendeu a permanência dos setores de mineração e siderugia sob controle do empresariado brasileiro. Se quisermos independência, precisamos ter unidade aqui para brigar lá fora e atrair este capital, afirmou. Diplomático, o empresário descartou a tendência nacionalista do discurso que fez, ao justificar necessários novos incentivos e políticas protecionistas para o setor, a exemplo do que fazem os Estados Unidos. Os estrangeiros são muito bem-vindos, mas preciso estudar mais medidas de proteção e métodos de investimentos para empresas brasileiras, observou. Segundo Maria Silvia, a expectativa de crescimento da indústria siderúrgica brasileira será de 9% este ano, caso o crescimento geral da economia brasileira encerre 2000 em 4%.

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