Um dos diretores da Fazenda Araupel, em Quedas do Iguaçu (161 quilômetros ao leste de Cascavel), Paulo Macarini, negou ontem a possibilidade de venda da área de 27 mil hectares onde quase duas mil famílias estão acampadas. Ele exigiu a retirada imediata das famílias do local e disse que a empresa, que trabalha com manufaturados e indústria de papel, não irá mais negociar.
Macarini criticou o governo do Estado por ter se ausentado dos debates de ontem pela manhã, na sede do Incra em Curitiba. ‘‘Que interesse o Estado tem de debater este tema e de solucionar o problema?’’, questionou ele.
A Araupel foi invadida pela primeira vez em 1997 e teve duas reintegrações de posse cumpridas. Atualmente, quatro acampamentos de sem-terra estão montados no local.
O superintendente do Incra no Paraná, José Carlos Araújo Vieira, disse que tentará resolver o impasse em menos de seis meses, disponibilizando novas áreas para assentamento. Todas as famílias acampadas na região vão ser cadastradas.
‘‘Temos que evitar o cumprimento da reintegração de posse e assentar as famílias o mais rápido possível’’, complementou Vieira.
Outro tema discutido foi a compra da Fazenda Água da Prata que, atualmente, abriga 39 famílias de trabalhadores rurais. A direção do Incra e fazendeiros não chegaram a um acordo sobre o preço e marcaram uma audiência pública para debater o assunto. Se a venda for efetivada, a intenção é transformar o acampamento em assentamento e abrigar 72 famílias.
Para efetivar a negociação, o ouvidor nacional agrário, Gersino José da Silva Filho, pediu para que não sejam feitas novas invasões na área e que as plantações sejam evitadas. ‘‘É a única forma de continuarmos as negociações com os fazendeiros’’, alertou.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) apresentou uma pauta de reivindicações, com a inclusão de itens como o fim da perseguição política ao MST, afastamento do delegado de Quedas do Iguaçu, devolução de materiais apreendidos durante despejo, aquisição da Fazenda Água da Prata e assentamento de todas as 2,2 mil famílias despejadas entre 2000 e abril de 2001. (Luciana Pombo, de Curitiba)

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