Curitiba- Seis das 27 pessoas indiciadas no inquérito que apurou supostas fraudes em licitações públicas, tiveram prisão preventiva decretada no final da tarde de anteontem pelo juiz da Vara de Inquéritos de Curitiba, Daniel de Avelar Ribeiro. A Secretaria de Estado da Segurança Pública só divulgou a informação depois da tentativa fracassada de cumprir os mandados na manhã de ontem. Até o fechamento desta edição, nenhum deles havia sido preso.
O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), responsável pelas investigações, pediu a prisão preventiva dos seis acusados, logo após entregar o inquérito ao Ministério Público (MP) estadual, por entender que eles integram o ''núcleo da organização criminosa''. A prisão preventiva, conforme a legislação, ''poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria''.
Estão com prisões preventivas decretadas pela Justiça o presidente da Apeop, Emerson Gava, o vice, Fernando Afonso Gaisller Moreira, o gerente executivo da Apeop, Carlos Henrique Machado, o diretor da Roch Consult, Lucidio Bandeira Rocha Neto, o diretor técnico da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), Lucas Bach Adada, e o diretor da empresa Afirma, Mario Henrique Furtado Andrade.
A operação deflagrada na manhã de ontem para cumprir as prisões, envolveu policiais do Nurce, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especiais (Tigre), Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera) e da Corregedoria da Polícia Civil.
Segundo informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública, no apartamento de Gava os policiais encontraram um bilhete que a esposa dele teria escrito à empregada, dizendo que eles haviam viajado. ''Conversamos com alguns porteiros dos prédios onde estas pessoas moram e eles disseram que ontem à noite, a maioria destas pessoas foi viajar'', disse o delegado titular do Cope, Marcus Vinicius Michelotto.
O advogado da Apeop, Roberto Brzezinski, disse, na tarde de ontem, que ainda estava tomando conhecimento da decisão da Justiça para poder analisar o que iria fazer. Disse que não havia tido contato com Gava e que não via qualquer problema, caso ele tivesse mesmo viajado, pois ele teria colaborado com a polícia quando foi intimado a depor e apresentou seu passaporte.
O advogado de Adada, Caio Fortes de Matheus, também afirmou que não teve contato com seu cliente, mas adiantou que irá impetrar habeas corpus por considerar desnecessária e sem fundamento a prisão. Ele sustenta que a polícia não tem qualquer prova que indique o envolvimento de Adada no suposto esquema de fraude.
A Folha não conseguiu contato com os advogados de Lucidio Bandeira Rocha Neto e de Mario Henrique Furtado Andrade.

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