Direção admite que morte foi causada por excesso
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sexta-feira, 23 de abril de 1999
Agência Estado 
Pela primeira vez, publicamente, a direção da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) admitiu, na manhã de ontem, que a morte do calouro Edison Tsung-Chi Hsueh, de 22 anos, pode não ter sido um acidente. Além disso, já havia sido constatado que houve excessos por parte de um grupo de veteranos, durante o churrasco de confraternização dos alunos. O ato, porém, não teria ligação direta com o afogamento do estudante.
As informações foram dadas pelo diretor da faculdade, Irineu Tadeu Velasco, que divulgou ontem o resultado parcial da sindicância interna que apura o caso do estudante. Por causa das evidências, como o óculos no fundo da piscina, é pouco provável que a morte do estudante tenha sido um acidente, disse Velasco. Segundo ele, um outro fato que precisa ser esclarecido é que não houve espancamento ou briga durante a festa, pois o calouro não apresentava hematomas, segundo o laudo do Instituto Médico-Legal.
Essa informação, porém, não afasta a hipótese de homicídio durante a comemoração dos estudantes, ressaltou Velasco. Agora, resta à polícia esclarecer o que realmente ocorreu no churrasco realizado no primeiro dia de aula.
Abusos De acordo com o diretor da faculdade, os abusos cometidos por alguns veteranos, conforme apurou a comissão de sindicância interna, não estão relacionados apenas com agressão. Mas, também, com insultos e constrangimentos, afirmou Velasco. A comissão já tem sete nomes de alunos que estariam ligados a exageros, mas nenhum deles teria ligação direta com a morte do calouro.
A direção da faculdade pretende criar na próxima semana uma nova comissão que vai estudar apenas os casos dos alunos que tiveram seus nomes ligados a abusos. Podem aparecer novos nomes, com o passar dos dias, afirmou o diretor. Se for confirmado que houve exageros, os alunos serão punidos administrativamente, com advertências, ou, dependendo do caso, com a expulsão. Ele garantiu, ainda, que a sindicância interna irá continuar até que o caso seja resolvido. Segundo Velasco, os alunos envolvidos nos trotes violentos iriam ser punidos mesmo que o calouro não tivesse morrido, pois abusos são são admitidos na faculdade.


