Dirceu prevê agravamento da crise econômica nesse semestre
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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 02 (AE) - O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), previu hoje que, neste segundo semestre, a crise econômica vai se agravar, com possíveis consequências político-institucionais para o Brasil.
"O governo está mentindo sobre a situação do País, como fez em 1997 e em 1998", acusou, depois de participar, no início da noite, da solenidade de filiação ao partido do deputado estadual Paulo Pinheiro, que deixou o PPS. "Infelizmente, vamos viver momentos difíceis", afirmou o Dirceu, prevendo que, até o fim do ano, a crise vai piorar.
O parlamentar disse que a fusão da Brahma com a Antártica foi feita porque as duas empresas vivem dificuldades, com dívidas altas, e afirmou que o sistema bancário nacional "tem problemas graves", com algumas instituições ameaçando quebrar. "A situação da Argentina é grave", disse ele, reclamando que o governo Fernando Henrique Cardoso não muda de rumo. "Acabamos de aprovar no Congresso uma Lei de Diretrizes Orçamentárias que corta gastos sociais, e o governo manda o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestar R$ 1,5 bilhão à Ford", atacou.
Dirceu previu ainda a divisão da base governista e o agravamento dos choques entre poderes nos próximos meses, apesar das gestões de FHC.
Segundo ele, o PT não vai, apesar dessa avaliação, pedir a renúncia ou a saída do presidente, como tem pregado o PDT. "Tudo vai depender da mobilização da sociedade", afirmou. O parlamentar disse que os petistas pretendem conseguir até agosto milhões de assinaturas no documento que pede a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás) e a abertura de uma investigação contra Fernando Henrique por crime de responsabilidade.


