Dirceu encontra Garotinho para tentar pôr fim à crise
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segunda-feira, 27 de dezembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 27 (AE) - O presidente nacional do PT, José Dirceu, terá um encontro amanhã (28) de manhã com o governador Anthony Garotinho (PDT), no Palácio Guanabara, sede oficial do governo. Dirceu irá entregar a Garotinho resolução do diretório regional do PT, tirada em reunião no último dia 5, que anula a decisão do 18º Encontro Estadual do partido, realizado em outubro, e que determinava a entrega imediata dos cargos ocupados por petistas no governo.
O PT tem três secretarias, além de cargos importantes no segundo escalão, como o Centro de Processamento de Dados do Estado do Rio de Janeiro (Proderj). "Agora entramos numa nova fase, com nosso objetivo voltado para as alianças de 2000", afirmou Dirceu. "A luta interna não interessa nem mais ao Chico Alencar (deputado estadual e candidato a prefeito do grupo Refazendo, que sempre se opôs a aliança com Garotinho)." O deputado Chico Alencar não foi encontrado hoje pela reportagem.
Dirceu não vê possibilidade de o presidente do PDT, Leonel Brizola, sair candidato a prefeito do Rio, como o próprio líder pedetista já admitiu. "Conversei com o Brizola na semana passada e ele me disse que isso não é verdade", afirmou.
O presidente nacional do PT disse, porém, ser "legítimo" o PDT desejar ter candidato próprio no Rio, mas assegurou que Garotinho já lhe deu a palavra de que irá apoiar sua vice, Benedita da Silva, caso ela vença as prévias do PT, em maio.
"Há um acordo entre o PT e o PDT e o Garotinho disse que irá cumpri-lo, mas não vejo problema nenhum se o PDT decidir caminhar sozinho, embora ache que a melhor saída para enfrentar o governo Fernando Henrique é a de buscar a nossa união no Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo", avaliou.
O pedido para que Dirceu fizesse a entrega da resolução que anulou a decisão do 18º Encontro a Garotinho partiu do presidente regional do PT, deputado federal Carlos Santana, irritado com a declaração do governador de que o PT era o "partido da boquinha", por buscar cargos no governo. Na ocasião, Garotinho explicou que não se referia a todo o partido, mas a uma parte dele - insinuando que falava do grupo de Santana
a quem Garotinho acusou de ter uma atitude dúbia e de ser um "Carlinhos-vai-com-as-outras".
No encontro de outubro, Santana foi um dos mais ferrenhos defensores da proposta de retirada do partido do governo, mas voltou atrás. Eleito presidente regional do PT, com o apoio do Refazendo, o deputado fechou com a Articulação em troca da volta de seus aliados ao governo.
Na época do 18º Encontro, ele exigiu que o secretário estadual de Transportes, Raul de Bonis, pedisse exoneração, o que aconteceu. Agora, no acordo fechado com o governador, o retorno de Bonis à secretaria é dado como certo.
A paz momentânea dentro do PT foi obtida com a aprovação da resolução no último dia 5. O documento foi costurado pelo presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, Garotinho e Santana. Para pôr fim à crise, ficou decidida a criação do conselho político, formado por integrantes do PSB, PCdoB, PCB, além do PT e do PDT.
Segundo Sérgio Rosa, integrante do diretório regional do PT e presidente do Proderj, o conselho político não pretende interferir na gestão administrativa, mas traçar uma linha política geral para o governo Garotinho. "Temos que discutir, entre outras coisas, a nossa atuação frente ao projeto do presidente Fernando Henrique", afirma Rosa.
Pela resolução, o governador deverá ainda promover discussões prévias com a bancada do PT na Assembléia Legislativa sobre projetos polêmicos. A representação do partido no governo será também "permanentemente" avaliada.
Para Léo Lince, integrante do Refazendo, o documento é uma espécie de "intervenção branca". "Lula é o responsável pelo pântano em que o PT do Rio está mergulhado", acusa. Segundo ele
o Refazendo vai estudar a possibilidade de entrar com recurso no Diretório Nacional do PT contra a resolução.


