Brasília, 08 (AE) - Depois de dois anos de atritos e troca de farpas pela imprensa, os dois principais partidos de oposição
o PT e o PPS, iniciaram uma estratégia de reaproximação visando as eleições municipais do próximo ano. Numa reunião realizada hoje, os presidentes das duas legendas, deputado José Dirceu (PT-SP) e senador Roberto Freire (PPS-PE), começaram os entendimentos visando a um maior número de alianças em 2000.
"Vamos iniciar esse diálogo pelas idéias que nos aproximam", comemorou Freire. "Um bom início de conversa é começar pelas alianças possíveis em 2000", reforçou José Dirceu. A idéia é fazer uma grande reunião na segunda quinzena de janeiro entre as executivas dos dois partidos. O encontro ficou para o próximo mês porque os nomes que irão integrar a cúpula do PT ainda não foram escolhidos.
Apesar do assunto não ser discutido nessa primeira reunião, Freire acredita que também em janeiro possa ser marcado um primeiro encontro entre as duas principais lideranças oposicionistas do País, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes (PPS). Mesmo assim, Freire e Dirceu acham que a sucessão presidencial de 2002 não deve ser discutida nem condicionada para a realização de alianças para as eleições do próximo ano.
José Dirceu destacou que durante o Encontro Nacional do PT, em novembro, o partido aprovou a realização de alianças não só com as legendas da frente de oposição (PDT, PSB, PC do B e PCB), como também com o PPS e segmentos do PMDB. Ele lembrou alguns bons exemplos de aliança com o PPS, destacando a prefeitura de Florianópolis, que foi comandada pelo pós-comunista Sérgio Grando.
Já Freire, lembrou da aliança feita em Blumenau, em que o prefeito Dércio Lima (PT) tem como vice Inácio Mafra (PPS). Também deve ser fechada aliança na Bahia, onde o PPS apoia o PT em Salvador e Camaçari, recebendo apoio em Feira de Santana. Em Palmas (TO) e Sobral (CE) o PT também deve apoiar os pós-comunistas. "A conversa entre as direções dos dois partidos deverá incentivar que o diálogo seja estabelecido nas bases", aposta o senador pernambucano.
Segundo ele, a reaproximação dos dois principais partidos de oposição é um sinal de maturidade e racionalidade política. "Tivemos um período longo de dificuldades", reconheceu Freire. "É um bom sinal para a sociedade que duas forças importantes da oposição possam trabalhar unidas para derrotar esse governo", avaliou Freire. "O PPS tem todo o interesse que essa unidade aconteça".

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