Dirceu critica reforma e diz que prioridade do governo é o ajuste
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quinta-feira, 15 de julho de 1999
Por Jô Pasquatto 
São Paulo, 16 (AE) - O presidente do PT, deputado federal José Dirceu, disse que a manutenção da equipe econômica com o ministro Pedro Malan na Fazenda e a indicação de Pedro Parente para a Casa Civil e Martus Tavares para o Orçamento e Gestão levarão a um agravamento na crise social. "A presença deles significa que o FMI vai dar as cartas direto, significa que a prioridade do governo é ajuste, mais cortes, mais impostos" disse Dirceu.
Na sua avaliação, a reforma ministerial não indicou uma mudança na política econômica nem na prioridade de adotar o desenvolvimento. "O governo fez um ajuste interno, uma reforma para dentro, para resolver os atritos no PSDB e na base aliada e também visando 2002" disse.
O deputado criticou também o anúncio do corte de 10% dos cargos comissionados. "Isso é demagogia, o governo está perdendo bilhões e bilhões de dólares por causa dos juros altos, da dívida externa, da remessa de dólares e da quebra da demanda interna" afirmou Dirceu. Para ele, o modelo econômico defendido pelo governo federal fracassou em todos os países em que foi adotado. "Acho que o governo está brincando com fogo porque o que está acontecendo na Argentina, Colômbia, Equador e Paraguai mostra o quanto é grave a questão social na América do Sul" disse.
Na avaliação de Dirceu, o governo continuará perdendo legitimidade e autoridade, perda causada pela atual política econômica. Segundo ele, além de agravar a crise social, com a manutenção da atual política econômica, a reforma ministerial mostrou que o presidente Fernando Henrique Cardoso não teve coragem de demitir seus auxiliares. "Revelou uma face nova do presidente: ele não teve coragem de olhar nos olhos dos demitidos, demitiu por telefone e por emissários, inclusive os amigos. Uma coisa lamentável."
Sobre as indicações de José Carlos Dias para o Ministério da Justiça, declarou: "José Carlos Dias tem um passado ligado aos Direitos Humanos e isso é bom para o País, mas a pasta perdeu articulação política. Vai cuidar mais de questões ligadas aos Direitos Humanos, Sistema Penitenciário, Administração da Justiça, Códigos." A escolha de Dias, para Dirceu, foi uma tentativa do presidente Fernando Henrique de tentar um ajuste com o PMDB. "O importante era tirar o Renan Calheiros, o Clóvis Carvalho, o importante era manter a cota do PFL."
O deputado José Dirceu acredita que a presença do deputado Aloysio Nunes Ferreira na Secretaria Geral da Presidência terá como objetivo ajustar a base do governo. "É mais uma indicação de que o governo precisa de alguém que acerte as divergências entre os três partidos", disse Dirceu referindo-se aos partidos que integram a base governista PSDB, PMDB e PFL. Segundo ele a indicação de Nunes Ferreira não deve melhorar o trânsito da oposição com o governo federal. "Facilita, mas a melhora depende do governo e o Aloysio não vai poder mudar a política do governo" disse Dirceu.


