Dirceu critica discurso de FHC sobre abertura comercial do Brasil
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 29 (AE) - O presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu (SP), criticou hoje a posição do presidente Fernando Henrique Cardoso em relação à abertura comercial do País e afirmou que a Cimeira do Rio "não trouxe nenhum avanço." Segundo ele, ocorreu "falta de reciprocidade" nas negociações porque Fernando Henrique apenas cedeu, sem propor a discussão de medidas compensatórias.
"Nossa indústria e comércio não suportam mais a continuidade dessa política irresponsável de abertura", afirmou o deputado. Ele participou hoje, no Rio, do Fórum da Sociedade Civil para o Diálogo entre a Europa, América Latina e Caribe, evento que ocorre paralelamente à Cimeira.
Dirceu defendeu a criação de subsídios pelo governo brasileiro como forma de defender a economia nacional e citou as experiências "bem-sucedidas" nesse sentido da indústria têxtil e de calçados. "Somos os principais prejudicados pela política protecionista da Europa porque, além do fim do subsídio à agricultura, o governo deixou de defender o mercado interno e a indústria, como fazem os outros países, inclusive com medidas ilegais." Para o presidente do PT, a França veio ao País para negociar uma "posição de força" e conseguiu, além de vetar qualquer alteração na questão do subsídio agrícola, mais abertura por parte do governo brasileiro no setor de serviços. "Os Estados Unidos devem estar morrendo de rir porque interessa a eles a negociação entre o Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul) e a União Européia (UE), antes da próxima rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC)", disse.
Para Dirceu, a reforma tributária deveria ser a única agenda do País no momento. Ele também defendeu, como forma de o Brasil enfrentar o desemprego e a "grave crise" por que passa, a redução dos juros com controle de câmbio, a definição de uma política industrial com financiamento da produção, a interrupção do processo de privatização e a renegociação da dívida externa do País.
"O discurso de FHC é retórica, não é real, porque o que disse, ele não fez e não faz", afirmou, referindo-se ao pronunciamento do presidente durante a Cimeira. "O Brasil transformou-se no País dos grandes cartéis que dominam o mercado
impondo aos consumidores tarifas dolarizadas; e não é verdade que entrou capital externo na América Latina nos últimos dez anos; na verdade, saiu porque a abertura de mercado permitiu essa situação." O presidente do PT não quis comentar a suposta existência, no Rio, de núcleos fantasmas e esquemas políticos pagos para comandar a máquina partidária nas convenções que começam em agosto. "Estou fora disso; nossa posição é a de que a resolução do diretório nacional tem de ser cumprida."


