Palmas - O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, fez ontem à tarde uma advertência aos movimentos sociais que ameaçam usar a violência para atingir seus objetivos. Disse que o governo não vai tolerar ações fora da lei e afirmou que, quando esses movimentos empregam violência, ela se volta contra o povo. Dirceu falou em palestra para líderes e militantes do PT, PMDB e PPS e dirigentes de movimentos sociais e comunitários, em um centro comunitário, na capital do Tocantins.
O governo, disse o ministro, está ''agindo com responsabilidade'', já tomou e vai continuar tomando ''medidas duras'' para resolver os problemas sociais do País. ''Por isso, não podemos permitir nada fora da lei e da Constituição, porque senão (isso) vira pretexto para a direita reagir, para nos combater e organizar uma frente contra nós. Vocês sabem muito bem que a violência é uma arma dos poderosos e não dos pobres e dos humildes, do povo; a violência sempre se volta contra o povo. Uma coisa é mudar as leis e para isso existe o Congresso Nacional , e outra coisa é pressionar e tensionar. Sair da legalidade, insinuar que se vai usar violência é a pior coisa que pode ser feita contra nós. A sociedade não apóia isso.''
Segundo o ministro da Casa Civil, toda vez que os movimentos sociais ultrapassaram o limite da lei acabaram se isolando, ''como está registrado na História''. José Dirceu disse ainda que o PT sempre atuou ''na medida certa entre a luta e a instituição, entre a pressão e a lei''. Ele chamou atenção para o fato de que o País vive dificuldades e é preciso determinação para superá-las. ''Não adianta chorar, temos que resolver os problemas um por um''.
O ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos também comentou as declarações de Stédile. O governo federal usará seu monopólio legal da força e seus serviços de inteligência e informação para evitar e reprimir qualquer ato de incitamento ao conflito entre sem-terra e ruralistas. ''Não admitiremos que as palavras se transformem em ações'', disse Márcio Thomaz Bastos.

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