Paris, 07 (AE) - Os ministros do Exterior da União Européia esperam encontrar até o dia 21, data da próxima reunião do Conselho Europeu, uma solução de compromisso que ainda permita o lançamento das negociações de uma zona de livre comércio no encontro de cúpula que vai reunir chefes de Estado e de governo da UE e Mercosul, nos dias 28 e 29 de junho no Rio de Janeiro. A ausência de acordo sobre um mandato negociador à Comissão Européia, na reunião de Colônia, na Alemanha, em razão da oposição da França e Irlanda, aumentou consideravelmente os riscos de um esvaziamento da reunião do Rio.
A impressão de certos meios diplomáticos sul-americanos na Europa é que alguns países europeus não parecem com muita disposição de levar adiante essas negociações, preferindo esperar a conclusão de outras, entre elas, a Rodada do Milênio, na área da OMC, cujo inicio está previsto para o fim do ano em Seatlle, nos EUA. Se essa intenção se confirmar, o Brasil e seus parceiros do Mercosul poderão caminhar para concluir as negociações da Alca, revelou o embaixador brasileiro em Paris, Marcos Azambuja.
Contudo, tanto o embaixador Azambuja como o representante brasileiro junto à CEE, o embaixador Clodoaldo Hugueney, acreditam que um acordo é ainda possível permitindo contornar as dificuldades existentes e facilitando o lançamento das negociações no final do mês, no Rio de Janeiro. O embaixador brasileiro junto à CEE, em Bruxelas, mesmo reconhecendo as dificuldades atuais, mostrou-se bem menos pessimista, convencido que as negociações entre a UE e o Mercosul serão lançadas durante o encontro do fim do mês.
Ele revelou que o texto de vinte páginas lançando as negociações está praticamente fechado, faltando apenas acordo sobre alguns detalhes relativos a datas, o ritmo do calendário, (onde as divergências são mais nítidas), mas o principio geral de uma negociação global já foi aceito pelos quinze países, incluindo o próprio setor agrícola. As negociações devem ser divididas em duas fases, uma sobre barreiras não tarifárias e outra dedicada às negociações tarifárias. A seu ver, o importante é que as negociações sejam lançadas no Rio através uma declaração política dos chefes de Estado e de governo.
A área agrícola sempre foi extremamente sensível para o governo francês, apesar de representar hoje apenas 7% da população ativa do país, mesmo quando se trata de problemas agrícolas da própria comunidade como, por exemplo, os debates sobre o chamado PAC, a Política Agrícola Comum. Essa oposição já havia sido manifestada pelo ministro do Exterior da França, Hubert Védrine, num encontro recente mantido com seu colega brasileiro, Luis Felipe Lampreia, há apenas dez dias, no "Café de Flore", em Paris.
Nessa ocasião, Lampreia constatou a disposição de Hubert Védrine de não fazer nenhuma concessão e já esperava dificuldades no encontro de Colônia, na Alemanha. O maior paradoxo dessa história é que a sugestão para esse encontro do Rio partiu do próprio presidente da França, Jacques Chirac, em 1997, quando de sua visita ao presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasilia. Hoje é a França quem mais procura bloquear essa negociação em razão de seus interesses agrícolas.
Não se pode esquecer também o problema eleitoral dos europeus que votam domingo próximo, dia 13, devendo eleger os deputados ao Parlamento de Estrasburgo. Qualquer importante concessão nesse setor altamente sensível da economia francesa poderia ser explorado eleitoralmente contra o governo de coabitação pró-europeu da França pelos partidos de oposição que desenvolvem campanha contra os tratados de Maastricht e Amsterdã e que já ocupam um lugar de destaque nas pesquisas de opinião pública.

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