Rio, 27 (AE) - Um dos principais instrumentos do embargo norte-americano à economia cubana, a Lei Helms-Burton, provocou a divisão dos representantes diplomáticos reunidos para a preparação da Cimeira. Os diplomatas não conseguiram chegar a um acordo sobre a citação textual da Helms-Burton no parágrafo da Declaração do Rio que condena leis de aplicação extra-territoriais. Aprovada em 1996 pelo Congresso Norte-Americano, a lei Helms-Burton permite aos Estados Unidos sanções contra qualquer empresa do mundo que negocie com Cuba.
A citação explícita da lei foi um pedido dos diplomatas cubanos e deveria constar da Declaração do Rio. Segundo Eduardo Stein, integrante da delegação da Guatemala, foi retirada a pedido dos países europeus, "estranhamente". O diretor de Estudos do Ministério do Exterior Chileno, Patrício Lavalle, disse que a manutenção da referência à Helms-Burton será decidida amanhã (28), pelos chefes de Estado reunidos na Cimeira. Mas o diretor de Assuntos para a América da Bélgica, Willy Stevens, não admitia nem esta possibilidade, no fim das negociações feitas na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). "Não vai aparecer o nome da lei no acordo", afirmou, categoricamente.
O ministro de Negócios Estrangeiros português, Jaime Gama, informou, no fim do dia, que a citação nominal à Helms Burton no documento ainda iria ser pedida, mais uma vez, pelo chanceler cubano, Felipe Péres Roque, ao primeiro-ministro alemão, Joschka Fischer. "Essa palavra foi suprimida na reunião dos altos funcionários de ontem (26)", contou Gama. "Acho a questão muito pouco relevante, até porque a Helms-Burton não se aplica aos países da União Européia", criticou o chanceler português.
Os direitos humanos foi outra questão que envolveu os cubanos em uma polêmica - desta vez, com a delegação da Suécia. Os diplomatas de Cuba entraram em atrito com os suecos, ao serem informados de que os representantes do país nórdico pretendiam aproveitar as negociações da Cimeira para incluir uma discussão sobre o respeito aos direitos humanos que incluísse a possibilidade de criticar e até condenar países que os desrespeitam em fóruns internacionais. "Considero ter havido um amplo ganho de democracia e pleno respeito aos direitos humanos em Cuba", afirmou Péres Roque, ao chegar na Firjan.

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