Campinas, SP, 09 (AE) - O diplomata Samuel Guimarães, do Instituto de Pesquisas do Itamaraty, falou hoje sobre a Estratégia dos Estados Unidos para a América Latina aos 1.200 jovens que participam do curso Realidade Brasileira, promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Depois da palestra respondeu a uma bateria de perguntas.
"Por que os Estados Unidos impedem que outros países produzam e comercializem armamentos? O interesse dos Estados Unidos nesses conflitos não seria uma estratégia para vender mais armas?", questionou Eurani Barbosa de Sousa, de 17 anos. "Certamente, sem armamentos não há guerras; quem domina essa indústria tem interesse em vender para países em situação de conflito", respondeu o diplomata.
"Como podemos nos libertar do imperialismo norte-americano", questionou outro jovem. Guimarães respondeu não haver "fórmula mágica, podemos nos libertar de qualquer mecanismo de dominação quando compreendemos o seu funcionamento; para isso, é preciso estudar e participar". Completando o raciocínio, o diplomata disse que o "imperialismo norte-americano" não é algo isolado. "É um sistema, que existe dentro de outro sistema formado por interesses políticos, econômicos e militares, do qual fazem parte muitos setores da sociedade", explicou. "Isso existe há 500 anos e as mudanças dependem da participação e do entendimento." Segundo Guimarães, não há uma estratégia específica. "O processo deve ocorrer sem turbulências".
Outro sem-terra quis saber por que o Brasil faz tantas dívidas com o FMI (Fundo Monetário Internacional. Guimarães fez um retrospecto da política econômica adotada pelo governo para combater a inflação, falou sobre a abertura comercial e a política de juros. E concluiu: "As privatizações não atraíram o capital estrangeiro que se esperava".
O curso será encerrado na segunda-feira (12). Hoje pelo menos 100 dos 1.200 participantes doaram sangue no Hemocentro da Unicamp.

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