Washington, 27 (AE-AP) O diplomata cubano José Imperatori deixou os Estados Unidos depois de ter sido ser detido por agentes do FBI e levado por eles até um aeroporto de Washington, informou o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin hoje (27).
Imperatori foi expulso do país por causa de possíveis vínculos com um funcionário do serviço de imigração acusado de espionar para Cuba. "O diplomata cubano que declaramos persona non grata no dia 19 de fevereiro foi escoltado pelo FBI até o aeroporto de Washington, de onde deixou os Estados Unidos", contou Rubin.
"O diplomata em questão não goza dos privilégios e das imunidades concedidas pela Convenção de Viena sobre relações diplomáticas", acrescentou. "Ele está sendo expulso dos EUA por não cumprir os prazos estipulados para deixar o país.". Antes, um funcionário do Governo dos EUA dissera que Imperatori iria de avião até Montreal, no Canadá, de onde seguiria para Havana. A mulher do diplomata e o seu filho retornaram a Cuba na sexta-feira.
Na capital da ilha, uma autoridade do Governo cubano também que o problema era norte-americano e que ninguém no país cooperaria na expulsão do diplomata, frisando que tudo era injustiça.
Imperatori e funcionários do Governo cubano dizem que a expulsão e as acusações de espionagem são um pretexto para impedir o regresso do menino cubano Elián González à ilha.
Elián, de 6 anos, foi resgatado do mar da Flórida em novembro, sobrevivendo a um naufrágio que matou várias pessoas que fugiam de Cuba para tentar a vida nos Estados Unidos, entre elas sua mãe.
Desde então, o menino vive com familiares em Miami e sua custódia tornou-se o centro de uma disputa internacional.
Em uma entrevista coletiva, Imperatori lembrou que a sua ordem de expulsão fora entregue três dias antes de se realizar a audiência sobre o caso do menino em um tribunal federal. Essa audiência foi adiada logo depois.
Imperatori afirmou que os funcionários da Seção de Interesses Cubanos sempre tiveram instruções categóricas e precisas para não se envolverem com os serviço de inteligência nos Estados Unidos, desde que a entidade começou atuar no país há 22 anos.
"Tais instruções têm sido respeitadas, sem qualquer exceção", acrescentou o diplomata.
Na entrevista coletiva, Imperatori dissera que desafiaria a ordem de expulsão e iniciaria uma greve de fome até que se retirassem as acusações.
"Sou vítima de uma grande calúnia", desabafou o diplomata. "Essa acusação é falsa, não faço trabalho de Inteligência nos Estados Unidos".
Funcionários do Governo norte-americano surpreenderam-se com o descumprimento da ordem de expulsão, dizendo que a atitude não tinha precedentes na história da diplomacia. A Casa Branca não respondeu até agora as declarações de Imperatori.
Funcionários cubanos revelaram ao Departamento de Estado as intenções de Imperatori, de que ele poderia refugiar-se na representação diplomática da ilha, sobre a qual as forças policiais norte-americanas não têm jurisdição.
Contudo, o diplomata dissera que permaneceria em seu apartamento e que se declarava em greve de fome até que as acusações fossem retiradas.
"Não resistirei à prisão, ainda que me algemem e me encarcerem", ressaltou Imperatori. "Minha moral e minha verdade serão os meus escudos".

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