Moscou, 30 (AE-AP) - Num caso de espionagem reminiscente da Guerra Fria, o serviço de segurança da Rússia deteve brevemente uma diplomata dos Estados Unidos que estaria supostamente coletando informação militar secreta de um cidadão russo, disseram hoje (30) autoridades.
Cheri Leberknight, que serve como segunda secretária da seção política da Embaixada dos EUA, foi detida em Moscou na noite de segunda-feira e liberada pouco depois, afirmou Alexander Zdanovich, porta-voz do Serviço de Segurança Federal, ou FSB.
Funcionários da Embaixada dos EUA recusaram-se a comentar o incidente.
A detenção - a primeira vez em cinco anos que acusação de espionagem é feita contra um diplomata dos EUA - ocorreu num momento em que tornam-se mais tensas as relações entre a Rússia e os Estados Unidos.
Os dois países têm se desentendido sobre a campanha militar russa na Chechênia e acordos de controle de armas, além de existir uma prolongada tensão por causa da campanha de bombardeios da Otan na Iugoslávia no primeiro semestre.
Falando a canais de televisão da Rússia, Zdanovich afirmou que a diplomata trabalha para a Agência Central de Inteligência (CIA) e foi pega em flagrante "enquanto conduzia uma operação de espionagem". A tevê ORT divulgou uma foto de Leberknight.
Zdanovich disse que a diplomata dos EUA "tentou obter material documental de uma estratégia militar que é segredo de Estado", mas que agentes do FSB (ex-KGB) abortaram a tentativa.
"A detenção de um diplomata é uma ação muito séria e nós pesamos tudo antes de agir", afirmou Zdanovich. "Tínhamos de agir porque havia o perigo de segredos muito sérios serem contrabandeados para o exterior".
Segundo ele, o FSB confiscou vários instrumentos de espionagem de Leberknight.
Depois de ter sido detida, a diplomata foi levada para os escritórios da FSB, para onde um representante do Ministério do Exterior russo e diplomatas dos EUA foram imediatamente convocados. Pouco depois, a diplomata americana foi liberada.
A última vez que Moscou acusou publicamente um diplomata americano de espionagem na Rússia foi em fevereiro de 1994, quando expulsou do país o conselheiro da Embaixada dos EUA James L.Morris. A ação foi uma resposta à expulsão por parte de Washington de um suposto oficial de inteligência russo.
Segundo a agência de notícias Interfax, citando autoridades de segurança não identificadas, Leberknight estava coletando informação sobre armas nucleares russas.
O ministro do Exterior Igor Ivanov disse esperar que o incidente não prejudique as relações da Rússia com os Estados Unidos, mas acrescentou imediatamente que "tais episódios não ajudam a melhorar o clima das relações". Ivanov afirmou que o Ministério do Exterior iria apresentar um protesto formal "dentro de horas".
"Esperamos que a senhorita Leberknight deixe nosso país brevemente", disse ele.

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