Curitiba - A Polícia Civil do Paraná chegou perto de elucidar o desaparecimento do menino Leonardo de Mello e Silva, em 14 de outubro de 2001, da cidade de Umuarama, mas acabou esbarrando em empecilhos diplomáticos. É que como havia pistas de que a criança estaria na Argentina, o delegado que presidiu as investigações até dezembro do ano passado, Marcolino Aparecido da Costa, teve que passar o caso para a Polícia Internacional (Interpol).
O inspetor da Polícia Federal argentina da Tríplice Fronteira, Raul Hirzh, disse que seu departamento fez todas as diligências possíveis, com base nas informações da Polícia Civil do Paraná, mas não chegou nem à localização de Leonardo, nem aos supostos sequestradores, que teriam ligação com a seita Lineamento Universal Superior (LUS), liderada pela suposta vidente Valentina de Andrade. As investigações, segundo ele, estão suspensas, até que a polícia brasileira aponte indícios para uma ''nova linha de investigação''.
Marcolino Costa relatou que a suspeita de que Leonardo teria sido levado para o país vizinho foi levantada seis dias depois do sequestro. Em 20 de outubro de 2001, o menino foi visto na companhia de três homens, que falavam espanhol, em um restaurante na cidade de Pranchita, que fica a 107 quilômetros a oeste de Francisco Beltrão e a cerca de 30 quilômetros da fronteira com a Argentina.
Com o retrato-falado dos sequestradores, o delegado, acompanhado de outros policiais, foi até Santo Antônio do Sudoeste (97 quilômetros a oeste de Francisco Beltrão) e entrou como turista em San Antonio, na Argentina. Lá, eles observaram se havia fiscalização na entrada de crianças no país.
De acordo com o delegado, como era exigida documentação de todas as pessoas que passavam pela fronteira, levantou-se a suspeita de que os sequestradores teriam ficado no lado brasileiro providenciando documentos frios para o menino. Foi quando a polícia recebeu a informação de que os três homens, em um Fiat Uno azul, haviam estado em um posto de combustível, em Barracão (90 quilômetros a oeste de Francisco Beltrão), na divisa com a cidade argentina Barracón.
Na sequência das investigações, a polícia do Paraná descobriu que os sequestradores estariam na casa da argentina Rosa Figueiró, na cidade de Telina. ''Ela que dá guarida ao bando'', disse Marcolino da Costa, referindo-se aos seguidores da seita LUS. Um dos sequestradores de Leonardo seria Marcelo Montes, que tem dupla nacionalidade (argentina e uruguaia). A polícia não sabe se esse é seu nome verdadeiro.
Na mesma ocasião, a líder da seita LUS, Valentina de Andrade, teria se encontrado com Rosa Figueiró, em Bernardo de Irigoyen (Argentina). A seita também tem adeptos na Argentina, nacionalidade do marido de Valentina, Alfredo Terugi, já morto. Segundo o delegado, na Argentina, Valentina usava dois nomes: Nilda de Oliveira da Rosa e Jurema Valentina de Andrade.
Com essas informações, Marcolino Costa disse que conseguiu mandados de busca do menor e de prisão de Marcelo Montes e Rosa Figueiró. Os documentos foram entregues à polícia argentina em 10 de outubro do ano passado. De acordo com o delegado, os mandados não foram cumpridos porque a Justiça da Argentina não autorizou a prisão de Rosa Figueiró e Marcelo Montes não foi encontrado. Foi a última diligência da polícia do Paraná em território argentino.

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