Diplomacia começa a se mexer para afastar bombas
Roma, 07 (AE-ANSA) - Depois de ter dado a palavra às bombas da Otan durante 15 dias, a diplomacia internacional intensificou nesta quarta-feira (07) suas atividades para encontrar uma solução pacífica e definitiva para a crise do Kosovo.
Hoje foi tornado público um chamado do presidente russo Boris Yeltsin a seus colegas dos sete países mais industrializados para que não caia no vazio a trégua oferecida unilateralmente pela Iugoslávia.
Também foi anunciada hoje uma série de encontros programados para os próximos dias entre os responsáveis pela política exterior da UE, Otan e do Grupo de Contato (do qual a Rússia também faz parte).
Ambos os fatos, na opinião de analistas, evidenciam um trabalho muito articulado e rico de iniciativas que em grande parte está se desenrolando nos bastidores.
O anúncio da possível entrega a mãos "ocidentais" dos três militares norte-americanos capturados pelos sérvios, a longa conversa telefônica entre o vice-presidente americano Al Gore e o premiê russo Yevgeny Primakov e a presença em Belgrado do monsenhor Vicenzo Paglia, a cargo da "diplomacia" da comunidade católica de São Egídio, são também importantes sinais.
Os analistas consideram que está em funcionamento uma rede de contatos indispensável para se encontrar uma alternativa à escalada de bombas e à catástrofe humanitária dos albaneses de Kosovo.
Por um lado a Otan mantém a pressão militar sobre os sérvios, e por outro começa-se a falar de um Rambouillet 2, para abrir novas conversações que calem as armas.
O ministro do Exterior francês, Hubert Vedrine, indicou hoje que as grandes potências estão trabalhando para adaptar o projeto de acordo de Rambouillet (o qual, ao não ser assinado pelos sérvios, resultou nos ataques da Otan) para se ter uma base de trabalho sobre a qual se reconstruiria a paz em Kosovo.
Mas os refletores, de todos os modos, estavam voltados hoje para Moscou. Depois do fracasso da primeira missão de Primakov a Belgrado, foi Yeltsin quem saiu pessoalmente a campo para pedir a seus colegas de Estados Unidos, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália e Canadá que "não rechacem a priori" a oferta de Milosevic de uma trégua e que, ao contrário, aproveitem a ocasião para "transferir a crise de Kosovo das mãos dos militares para as mãos diplomáticas".
O papel que a Rússia pode desempenhar para mediar com Milosevic é observado com renovado interesse por Washington, mas também pela União Européia (UE).
O ministro do Exterior alemão Joshka Fischer (a Alemanha exerce a presidência rotativa da UE) sublinhou que Moscou deve desenvolver uma função "ativa e importante" no processo de paz de Kosovo.
França e Itália, além disso, veriam com agrado iniciativas que possam restituir à Europa o papel que a corresponde no âmbito de um processo decisório internacional, papel que atualmente estaria de certa forma "obscurecido" pela liderança dos Estados Unidos e Grã-Bretanha, destacaram analistas.
Os mesmos analistas assinalam que não é ocasional o fato de Paris ter destacado que as respostas dadas pelos aliados à trégua oferecida por Milosevic "foram elaboradas com base em propostas francesas". Isto quer dizer que não foi a França que seguiu ordens da Casa Branca. Em todo caso, foi tudo ao contrário.
Vedrine, por outra parte, enviou hoje o secretário-geral de sua pasta Loic Hennekine a Moscou para consultar as autoridades russas sobre Kosovo, anunciou o porta-voz da chancelaria. Ele acrescentou que Vedrine tomou a decisão de acordo com os outros países do Grupo de Contato para a ex-Iugoslávia (EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália). Hennekine, concluiu o porta-voz, conversará com o chanceler russo Igor Ivanov.
Neste contexto de contatos e iniciativas, entra também a proposta lançada pelo chanceler italiano Lamberto Dini para pôr em prática o embargo total à Iugoslávia.
Entretanto, foi anunciada a viagem a Belgrado do presidente do parlamento cipriora, Spyros Kiprianou, em uma tentativa de "recuperar" os três militares norte-americanos capturados pelos sérvios.
Amanhã também estará em Belgrado o líder da ala comunista italiana que permanece no governo de seu país, Armando Cossutta.
No entanto, a série de encontros para discutir sobre a crise nos Bálcãs começará amanhã com a reunião dos ministros de Exterior da União Européia em Luxemburgo. Na sexta-feira, será a vez dos diretores de assuntos políticos das chancelarias do Grupo dos Oito (os sete países mais industrializados e a Rússia)
que se reunirão em Dresden. Por fim, na segunda-feira, será a vez dos ministros de Relações Exteriores dos 19 países da Otan, que se reunirão em Bruxelas.





