Pouco mais de mil militantes e simpatizantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) participaram ontem à tarde, em Querência do Norte, no Extremo-Noroeste do Estado, de ato público contra a violência no campo e a ação da Polícia Militar nas reintegrações de posse em fazendas invadidas na região. A mobilização reuniu menos público do que o esperado pela coordenação estadual do MST.
Também foram sentidas as ausências de políticos - principalmente paranaenses - e líderes locais, dos quais 16 estão presos em Paranavaí e sete têm prisão preventiva decretada. A mobilização terminou pacificamente, por volta das 18h30, quando os sem-terra se dispersaram e voltaram aos seus acampamentos e as caravanas para suas cidades de origem.
A manifestação aconteceu uma semana depois de a Secretaria da Segurança Pública, por intermédio da PM, ter garantido a reintegração de posse de seis áreas invadidas, numa megaoperação que envolveu mais de 700 policiais. Mesmo com um efetivo de aproximadamente 200 homens no município, dando proteção principalmente para as áreas reintegradas, a PM manteve distância, mas sempre passando ostensivamente com suas viaturas pelas proximidades da praça central, onde houve o protesto.
Milton DóriaDiolinda Alves de SouzaTambém foram a Querência do Norte os deputados federais Adão Pretto (PT-RS), um dos fundadores do MST e Luci Choinaski (PT-SC), a líder sem-terra em Pontal do Paranapanema (SP) Diolinda Alves de Souza - mulher de José Rainha - e integrantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Antes de ir ao ato público, os deputados estiveram em Paranavaí para uma ‘‘visita de solidariedade’’ aos líderes sem-terra presos na semana passada.
Enfeitavam o local da manifestação uma grande pintura com a figura do líder guerrilheiro Che Guevara e faixas contra o governador Jaime Lerner. Os dizeres de duas delas: ‘‘Jaime Lerner, onde estão os assassinos de Sebastião Camargo, Setímio Garibaldi e Eduardo Anghinoni?’; ‘‘Jaime Lerner, a repressão e o assassinato de agricultor sem-terra é a marca do seu governo’’.
O discurso de Diolinda Alves de Souza foi o mais aplaudido. Ela afirmou estar indignada com a ação do governo paranaense. ‘‘Quando alguém tenta trabalhar, colher frutos, é impedido. A reforma agrária é massacrada no País’’, afirmou. Ela conclamou os manifestantes a fazerem vigília em frente à delegacia onde os sem-terra estão presos, até que o governo os liberte. Diolinda conclamou a população a continuar lutando e ‘‘ocupando’’ novas áreas.
Para o deputado Adão Pretto, o governo está ‘‘aplicando um golpe na gente que quer terra para trabalhar’’. Ele disse que os deputados, em Brasília, não podem fazer mais nada, ‘‘além de cobrar o governo federal para que cumpra a lei da reforma agrária e denunciar atos de violência como o ocorrido na semana passada’’. ‘‘A lei já existe.
Em Maringá, o governador Jaime Lerner disse que existem ‘‘exageros plantados na imprensa’’, ao comentar denúncias de violências cometidas contra os sem-terra durante as desocupações de fazendas no Noroeste. Segundo ele, ‘‘o governo do Estado está servindo de mediador nesta questão, tentando desarmar os espíritos dos dois lados e sempre respeitando os direitos humanos’’. ‘‘Sabemos - continuou o governador - que existe uma tentativa do MST de continuar fazendo ocupações ilegais, mas vamos continuar cumprindo as determinações da Justiça.’

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