Dinheiro suíço reabre Museu Bertoni
As Três Fronteiras acabam de ganhar uma atração que corria o risco de desaparecer. Por esforços do governo suíço e de uma das principais ONGs do país - a Associação Suíça para a Cooperação Internacional -, o Monumento Científico Moisés Bertoni foi restaurado e, em breve, poderá se tornar um ponto de visitação conhecido entre os europeus. Composta por uma área de 199 hectares de mata, no município paraguaio de Puerto Franco (fronteira com Foz), a unidade de conservação do governo federal paraguaio está prestes a ser um pólo turístico, que conciliará a curiosidade histórica à aventura ecoturística.
Depois de investir US$ 70 mil em uma minuciosa e trabalhosa restauração do prédio de madeira, que já foi a casa dos Bertoni e que, desde 1955, abriga um museu, a ONG suíça pode ampliar os investimentos para até US$ 3 milhões.
Neste caso, o monumento, que fica à margem do Rio Paraná, a 8 km ao sul da confluência com o Iguaçu, ganharia novas trilhas, identificação de plantas, cais flutuantes, melhorias na estrada não-pavimentada que dá acesso ao museu e investimento nas condições sanitárias da tribo Mbá-Guarani, que vive na reserva. Além disso, foi elaborado um plano de divulgação junto a agências de viagens européias, para que o número de visitantes cresça e a unidade de conservação possa ter uma receita compatível com sua nova estrutura.
Os suíços querem resgatar a vida de um compatriota que decidiu se estabelecer em outro país e fez dessa experiência uma vitória de todos os cientistas, diz Ingrid Bernardin Ca¤iza, coordenadora do projeto de restauração. Para ela, a figura de Bertoni está sendo cada vez mais estudada no meio acadêmico suíço, o que pode facilitar a liberação de mais verbas.
Ney de SouzaIngrid Bernardin Ca¤izaA instalação de energia elétrica na área da reserva ainda está sem previsão de se concretizar. É um absurdo. Temos a maior hidrelétrica do mundo perto daqui e temos que nos contentar com um gerador, reclama o designer gráfico Osvaldo Codas, um dos restauradores que, desde a reinauguração, em 8 de outubro, faz o papel de guia do museu. Codas sugere um patrocínio da Itaipu para solucionar o problema.
Enquanto o movimento pós-inauguração ainda é pequeno, os turistas podem contemplar com mais tranquilidade o museu, de dois pavimentos. O visitante faz uma viagem ao período que compreende as últimas décadas do século 19 e as primeiras do século 20.
Nas dez salas do museu, podem ser observados objetos pessoais, manuscritos de livros, cartas, parte da biblioteca de 7 mil volumes (a maioria do acervo está em uma fundação de Assunção) e uma reconstituição do laboratório e da gráfica de Bertoni. O conjunto é considerado pelos especialistas de importantíssima referência histórica em meteorologia, agronomia, biologia e cartografia, ciências às quais Bertoni e seus filhos dedicaram décadas de estudo.
No meio da mata subtropical, com um considerável reforço de espécies exóticas (60%, talvez) plantadas pelo seu avô, o comerciante Luis Fernando Bertoni, 46 anos, se emociona ao fazer o trajeto do cemitério, de mais de 100 anos, até o sobrado, de arquitetura simples, mas de bom gosto. A reconstituição está perfeita. Eu e os 100 descendentes vivos de Bertoni estamos muito felizes.
A reportagem da Folha visitou o Monumento Científico Moisés Bertoni a convite da Ilha do Sol TurismoNey de SouzaLuis Fernando BertoniNey de SouzaNo museu, o visitante faz uma viagem ao período que compreende as últimas décadas do século 19 e as primeiras do século 20Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha





