Dinheiro da multa de R$ 50 milhões aplicada na Petrobras vai para o Rio, anuncia FHC
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sábado, 22 de janeiro de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 22 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso comunicou hoje ao governador do Rio, Anthony Garotinho, que os R$ 50 milhões de multa que seriam pagos pela Petrobras à União pelo vazamento de 1,292 milhão de litros de óleo na baía de Guanabara irão para o Estado. Deverão ser aplicados no serviço de despoluição. A notícia foi transmitida no início da tarde, depois que o governador reivindicou o dinheiro e atacou o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, que na véspera anunciara a possibilidade da empresa ser multada pelo Instituto Brasileiro do meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Segundo o governador pedetista, dessa maneira o dinheiro acabaria nos cofres federais. "Como pode o governo federal multar o próprio governo federal?", perguntou Garotinho, antes de receber a notícia do presidente. E acrescentou: "O dinheiro vai sair do caixa da Petrobras, uma empresa cujo dono é o governo federal, para o da União. É muito melhor dar o dinheiro ao governo do Estado". De acordo com Garotinho, o dinheiro poderá ser usado para "dar comida aos pescadores, contratar especialistas em acidentes ecológicos desse tipo e investir mais rápido na despoluição da baía".
O governador também disse que o povo do Rio não é como o do Maranhão (Estado onde o ministro tem sua base política) e acusou Sarney Filho de ter anunciado a multa apenas por formalidade, "para inglês ver". Depois de sobrevoar a mancha de óleo, ele ordenou ao secretário do Meio Ambiente, André Corrêa, a instalação de um cordão de isolamento perto da Ponte Rio-Niterói, para barrar o óleo. Durante o vôo, o governador classificou o que viu de "triste" e "impressionante". "A mancha atingiu totalmente a ilha de Paquetá, as pedras estão cheias de óleo, e a areia, preta", disse. Ventos - O governador mostrou-se preocupado com a possibilidade de mudança na direção do vento - o que poderia arrastar o material poluente e ampliar os danos. "Com o vento do jeito que está, não há perigo de o óleo chegar a Niterói (cidade do outro lado da baía)", explicou. "Mas, se bater um vento noroeste, a coisa pode mudar". Garotinho sobrevoou as praias de Mauá e Magé e o manguezal de Guapimirim, na região metropolitana. Mancha - Na manhã de hoje, a mancha já estava a cerca de dois quilômetros da praia de Ramos, na zona norte da capital, e atingira oito praias da Ilha do Governador, outro bairro da região. O óleo também invadiu a área de Proteção Ambiental de Jequiá, depois de ultrapassar uma barreira que pescadores tinham montado na área. Eles acusaram técnicos da Petrobras de terem mexido nas bóias, o que teria facilitado a invasão do manguezal.
O secretário de Meio Ambiente da capital, Maurício Lobo, afirmou que sua maior preocupação é com as praias oceânicas da zona sul do Rio. Se o óleo chegar lá, a Petrobras pagará multa diária de R$ 50 mil, segundo liminar da Justiça. "Acreditamos que dificilmente o óleo chegará às praias oceânicas", disse o diretor de Abastecimento da estatal, Albano Gonçalves. Ele afirmou que, para tentar barrar a mancha, estão sendo usadas todas as bóias disponíveis no Rio de Janeiro e em São Paulo e que material semelhante estava sendo enviado, do Espírito Santo, pela Companhia Vale do Rio Doce.
Gonçalves declarou que um acidente como o do Rio nunca tem uma só causa. Mas admitiu que a tubulação rompida, que deveria estar um metro e meio abaixo do solo, estava a 45 centímetros da superfície. Segundo o diretor, podem ter ocorridos erros de projeto ou de sondagem no solo. Na véspera, técnicos da estatal admitiram que o duto PE-2 sofreu fadiga por um erro de cálculo da rigidez do solo, no trecho em que passa sob o manguezal. Com a constante dilatação e contração do material, causadas pela passagem do óleo quente, o cano se moveu
rompendo o aço. Houve um rasgo de quase 64 centímetros, pelo qual o poluente saiu por quatro horas.
Gonçalves atribuiu a dificuldades técnicas o erro sobre a quantidade de óleo que vazou, inicialmente, estimada em 500 mil litros. Hoje, técnicos e voluntários continuavam a trabalhar. O manguezal junto à Reduc, onde ocorreu o vazamento, continuava sendo limpo. Funcionários da Secretaria de Agricultura promoveram nas praias do Limão, do Anil e de Mauá um mutirão para recolher animais sujos de óleo.


